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Roubo no Second Life

23 Jul

Pois é, acreditem: existe roubo no Second Life (SL).

O pior de tudo é que eu fui a vítima.

Na verdade, eu tenho que admitir que achava que o máximo que poderia acontecer era jogarem o meu avatar para uma ilha deserta ou banirem a minha entrada em alguma ilha. Mero engano! Até aqui (no SL) já se achou um jeitinho de burlar o sistema e tirar lindens (a moeda circulante do software) de avatares pobres e honestos, como o meu eu virtual. ¬¬

Bom, tudo começou quando eu resolvi fazer minha pesquisa com as “favelas virtuais” do SL (relacionando-as com a identidade cultural e a questão da reprodução territorial…bom, mas isso não vem ao caso).

No entanto, para fazer a minha pesquisa, é necessário utilizar uma etnografia virtual (proposta por Hine), o que implica (em um determinado momento) na imersão da pesquisadora no campo da comunidade em análise, ou seja, eu teria que me fazer “favelada” virtualmente para participar de forma ativa do grupo do pessoal que mora ali.

Só que, para isso, eu teria que “vestir” uma identidade igual a que eles apresentam no ambiente (pelo menos aparentemente). Pensei “vou começar pelas roupas, claro”! Então, de mãos vazias, fui procurar uma forma para ganhar dinheiro a fim de comprar umas botas (umas míseras botas de 18 lindens) que eu achei na favela e que já iriam “quebrar o galho” inicialmente.

É importante salientar, para quem não sabe, que no SL tudo gira em torno do comércio virtual. As pessoas têm que ter dinheiro para comprar coisas “legais” (como as minhas botas) por lá.

Então, eu saí pelo SL em busca de um emprego que não fosse tão chato e que não exigisse tempo. 😛 Fui parar na polícia de uma das ilhas, oferecendo-me para ser uma cidadã virtual da lei. Só que, depois de uma conversa com o delegado, eu descobri que teria que passar por uma série de testes para fazer parte do batalhão e, só então, receber algo. Verifiquei, então, que todo esse processo não iria otimizar o meu tempo. Pelo contrário, iria me atrasar mais ainda, pois eu tenho que terminar estes artigos pendentes do mestrado, o quanto antes.

Assim, saí desanimada da delegacia e encontrei um “traficante virtual”. Fiz amizade com ele e perguntei sobre as formas mais rápidas de se ganhar dinheiro dentro do software de maneira que eu não precisasse ficar dedicando o meu tempo “jogando” no SL. Ele me deu uma luz, lembrou-me da existência de cadeiras que te oferecem lindens, por um determinado tempo, que ficas sentado ali (eu já sabia disso quando fiz meu TCC, só que, não sei o porquê, havia deletado da minha memória).

“Perfeito”!!! Era isso mesmo que eu precisava: colocar o meu avatar num banquinho e esquecer dele ali, enquanto fazia meus artigos e ganhava os lindens para comprar a bota da favela.

Chegando lá, o esquema era o de pagar 3 lindens por cada meia hora sentada na cadeira. Assim, obviamente, eu precisaria ficar 3h sentadinha ali para conseguir os 18 lindens para a minha bota de “favelada-virtual”. Tudo bem, a minha meta era passar a tarde dedicando-me aos artigos, não ia custar-me nada deixar o SL rodando paralelamente ao Word. 😛 “Vamos lá”, pensei.

Assim, passaram-se uma, duas….três horas (acreditem: eu fiquei 3 horas sentada numa cadeira virtual para ganhar 18 LINDENS). Cheguei a contar os segundos finais, ansiosa para fazer minha primeira compra na vida virtual do SL. “Segundos..5…4…3…2…1”!!!!!! Puf (saltei tri feliz da cadeira)!!!

Aí, olhei os meus lindens e… SURPRESA! Os meus lindens não estavam comigo!!!! ARGSSSS!!!!! “COMO ASSIM? FIQUEI 3H NUMA CADEIRA PARA NÃO GANHAR NADA????”

Foi nesse momento que eu olhei para baixo de mim e encontrei um avatar deitado na minha cadeira, contando o tempo normal da cadeira E COM OS MEUS 18 LINDENS ¬¬ . Primeiramente não entendi o porquê disso. Fiquei confusa. Tentei falar com o avatar, imaginando que ele fosse uma boa “pessoa-virtual” e que compreendesse a minha situação a fim de concordar com uma pequena “pane” do “sistema das cadeiras” do SL e que devolvesse os meus 18 lindens. ¬¬ Ilusão minha. O avatar simplesmente me ignorou. Fez como que se eu não estivesse ali.

Aí, lembrei do meu amigos traficante e voltei para a favela a fim de perguntar como o meu dinheiro foi transferido para o avatar que se deitou depois de mim?

A resposta foi essa: “se você está nestes lugares ganhando dinheiro virtual de forma fácil, você não pode deixar que outros avatares sentem aonde você está, pois eles ficam ocupando o lugar do sistema do SL que diz para pagar lindens para a pessoa que está ali. Logo, no momento que você levanta, já tem outro avatar ali, então o dispositivo de que alguém parou de ficar sentado na cadeira e que é hora de pagar para este residente, não é liberado, sendo, automaticamente, o dinheiro ganhado por ti, transferido para o outro avatar, como se ele estivesse ali o tempo todo.”

Apesar de não ter esclarecido o suficiente (pois é…como o sistema do SL pode ser tão monga nisso? Como ele iria tirar os meus lindens? Por que a cadeira do SL não é “mais inteligente?”)… O fato central era que EU FUI ROUBADA (não importava mais “o como”). 😛 …Imaginem como eu fiquei.
Está certo que era só um par de botas da favela e que de repente o meu “amigo favelado” do SL me contou uma baita mentira (como vou saber, até então?), mas o sentimento de perda, de roubo permaneceu em mim….TINHAM QUE ME ROUBAR NA PRIMEIRA VEZ QUE EU TENTO GANHAR ALGUM DINHEIRO NA VIDA VIRTUAL? Fiquei “hipermente”, “megamente”, “mastermente” de cara a ponto de não conseguir mais fazer os meus artigos. Odeio gente que tenta dar de espertinho sobre outros! Odeio gente que quer pular etapas e dar o “jeitinho brasileiro” para subir na vida de forma que prejudique quem está fazendo as coisas de maneira “certinha”. 709547690763931 X ARGS!

Pois é, mais uma prova de que a realidade virtual (destes softwares que simulam a vida offline) não se diferencia tanto assim da realidade concreta.

Enfim, foi o que aconteceu.
O resultado final: fiquei sem botas, sem a finalização do meu artigo e tri irritada. ¬¬

"Diário do dia" :P

18 Mar

Estou amando tudo por aqui. Sinceramente, não esperava ter professores do escalão que estou tendo (pelo menos, por enquanto). 🙂

A rotina por aqui é bem diferente do habitual. Levanto todo dia 8h da manhã, tomo meu banho, meu café-da-manhã é um saquinho de cheeps ou meio pacote de passatempo (que a minha mãe não esteja lendo isso) e depois começo as leituras. Leituras, leituras, leituras…e resumos, resumos e resumos. Nunca tive que ler tanta coisa científica em minha vida. Admito que é meio complicado de sair entendendo de “supetão” certos assuntos, mas também não tenho o que reclamar: estou amando o acúmulo de conhecimento que estou recebendo (espero que isso tb não seja temporário). 😛

Pelas 11h da manhã, vou para o centro 3C (prédio da informática) ou para a biblioteca acessar o “meu mundo”. Então por aí fico até quase 12h30 quando vou dirigindo-me para as deliciosas panquecas do Bar do Alemão. Como uma panqueca (leia-se super-panqueca), depois vou escovar os dentes no banheiro da UNISINOS que tem uma descarga mágica (acreditem, ela sabe direitinho quando acabamos de fazer as necessidades).

Depois, 13h15, vou para os banquinhos da PPGCOM e fico ali, jogando Tetris com notas musicais que veio no meu celular novo (já fiz 60.000 pontos!). Após, pelas 14h, dirijo-me à sala de aula para receber um turbilhão de conhecimentos passadas por doutores (essa é a melhor parte…tá, segunda melhor parte depois das panquecas :P). No intervalo, vou correndo tirar xerox de quase 50 folhas deixadas de “tema” pelos professores e pego meu capuccino mega doce na maquininha de R$ 1,10 que faz tudo sozinha (ela inclusive fornece os copos..hehehe).

Ao final da aula, vou comer outra panqueca e dou uma voltinha no campus da UNISINOS pra ajudar a digestão. Vejo muitas pessoas estranhas (ou eu nunca lembro das que já vi antes) e tenho a impressão de que elas devem me achar com cara “O Terminal” na Unisinos. :/

Depois, 19h, dirijo-me até a minha moradia (casa das freirinhas) e entro para o meu quarto (ok, sou meio anti-social…dou um “oi” para o pessoal de lá e depois vou correndo ao meu refúgio para absorver mais conhecimento vindo da papelama do xerox, pois tenho a sensação de que estou sempre atrasada…).

Fico lendo até me enjoar (isso tipo…22h), quando enfim, resolvo dormir ao som de U2, Green Day, Coldplay, Simple Pan, The Beatles e outros. 🙂

Apesar das “flores”, existem os “espinhos”. No meu primeiro dia alojada no meu refúgio descobrei que a porta do banheiro tem problemas para ser aberta (principalmente quando se está dentro dele). Conclusão, fiquei meia hora presa no meu prórpio quarto (tb, não sei pq fechei a porta se só eu moro ali). Outro probleminha foi o meu colchão que foi feito com um bambú dividindo-o ao meio, o que significa que, mesmo em um colchão de solteiro, eu tenho que dormir em metade dele (o bom é que tenho a opção de escolher o lado esquerdo ou o direito do colchão de solteiro). ¬¬ Buenas, deslizes de dias “quase perfeitos”.

Sei que essa rotina será modificada no momento em que eu levar meu macbook pra lá. No entanto, terei que me auto-doutrinar para não deixar a Internet tomar tempo de mais da minha vida. Caso contrário termino o mestrado em 2020. ¬¬

Em princípio é isso, “querido diário”. 😛

Made in Unisinos

13 Mar

O lugar é lindo! Realmente, em termos de estrutura, não tenho absolutamente nada para reclamar (principalmente tendo como padrão as universidades federais por onde passei). 🙂 Cada dia que passa parece que estou absorvendo quilos de informações colaboradoras para o meu conhecimento. Parece que o ar que eu estou respirando já vem superlotado de informações “quentinhas” de tudo o que estou pesquisando. Já sobre a parte docente, ainda não tive contato, mas acredito que deva ser semelhante. 🙂

Ontem tivemos uma palestra com o Dr. Norval Baitello, professor da PUC de São Paulo. Sério, muuuuito boa. Sem palavras. Ele falou da teoria da imagem e da teorida da mídia, traçando um histórico divertido e super interessante de como estes processos estão interligados e como se deu a sua evolução ao longo da história da comunicação.

O professor Baitello contou a história de grandes nomes na área da comunicação e da filosofia como Aby Warburg, Harry Pross, Vilém Flusser, Dietmar Kamper e Hans Belting, apresentando o quanto do conhecimento deixado por estes grandes autores contribuiu e permanece contribuindo para novas pesquisas que ainda são desconhecidas (ou deixadas de lado por não conhecermos a sua importância real) dentro da comunicação.

O professor da PUC falou bastante da mídia primária (a mídia que provém do corpo, que veio bem antes da introdução da máquina e que necessitava, acima de tudo, de uma proximidade ou distância limitada para estabelecer algum tipo de comunicação). Ele enfatizou bem a importância desse tipo de mídia, apresentando um histórico do quanto ela foi “esquecida” por nós (comunicadores) e tomada por outras áreas do conhecimento (como a antropologia, a sociologia e, até mesmo, a biologia).

Ele relata o mundo das “nulodimensões” (visão de Flusser), que se caracteriza pela escala da abstração, ou seja, quando passamos a não valorizar mais o material, mas sim a informação (que é o que está acontecendo hoje). Cada vez mais, nós nos tornamos um pontinho informativo dentro do gigantesco ciberespaço (por exemplo). 🙂 Bem divertido!

Depois, o professor Baitello falou da “doença social” apresentada por Kamper, coisa que nós, jornalistas, estamos craque de saber. É a famosa super-estimulação de um dos nossos sentidos (como a visão) e, conseqüentemente, a atrofiação dos outros pelo seu não-uso. Ele possibilitou uma boa reflexão sobre este tema.

Por fim, outro ponto legal de comentar aqui, é a clara distinção que Baitello faz entre o suporte e a imagem. Ele possui a mesma idéia de Belting de que o suporte é apenas a máquina, ou seja, o objeto que reproduz a imagem por meio de processos pré-establecidos anteriormente (pelas tecnologias). Esta (a imagem), por sua vez, é a mídia. Ela é quem leva a informação, quem comunica, mesmo sendo a revelação de uma “presença dentro de uma ausência”. 🙂 Super filosófico e muito contribuidor.

Deixando de lado a palestra, sobre a minha estada na Unisinos, só tenho a dizer que, apesar de eu não conhecer ninguém daqui (a não ser a professora Suely) e não ter aberto a minha boca ontem, estou gostando bastante.

Ok, vou lá comer panquecas (eu já disse que as panquecas daqui são ma-ra-vi-lho-sas?). 🙂

E lá vamos nós!

11 Mar

Amanhã começo a minha vida de pós-graduanda. 🙂
Tenho que admitir que estou bem empolgada para isso. No entanto o meu mais terrível medo é não conseguir chegar na UNISINOS (sim, podem rir, mas eu nunca fui pelo metrô e sozinha como terei que ir). 😛 Sei que basta uma vez para a gente não esquecer mais, mas já pensou se eu me perco? Teria que voltar tudo de novo e gastar horrores. :/ Uma vidinha! Mas, para isso, levo um mapinha que confeccionei. 😀

Bom, vou ficar hospedada na casa de umas freirinhas. Elas são bem simpáticas e o meu quarto é tri. Ele é pequeno, mas tem um banheiro só meu e a decoração é VERDE (amo verde!). O próximo passo para fazer com que ele fique 100% é colocar a banda larga da Claro no meu MacBook. Aí sim, fecha todas 😀 (é, espero que ela seja boa).

O local onde vou estudar é no Centro 3 da UNISINOS, na comunicação. Aí tem um mapa da universidade onde mostra os centros e tal (a comunicação é no “E” em azul). Quem tiver interesse de saber onde e como funciona o mestrado e doutorado, é só olhar o site da comunicação. 😛


Ok. Vou para a UNISINOS. Ganhei bolsa. :)))

22 Jan

Só para vocês terem noção: a biblioteca deles é giga-gigante!

Estão vendo aquele prédio ali? Pois é. Já pensou??? Uma biblioteca de cinco andares.

Eu sei, posso estar me surpreendendo de mais com as coisas (afinal, tudo é novo nesse ano). No entanto, vale a pena. Universidade com conceito cinco pela CAPES, parquezinhos semelhantes aos “Jardins do Éden”, patinhos e quero-queros mansinhos passeando pelas calçadas, panquecaria e vários restaurantes bons, lojinhas com coisas para gastar (e coisas legais), estudos em um local muito bem falada no ramo das novas tecnologias, orientações ótimas e, para melhorar, independência dos pais. 😀

Assim, vou planejando meus próximos meses a partir de março. Ainda estou meio perdida (ou seria melhor dizer “deslumbrada”?), mas faz parte. 😉