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Apontamentos para o perfil dos jogadores brasileiros de social games

18 Aug

Da série “preparando-se para a qualificação de doutorado”. 😛

Hoje busco apresentar mais alguns dos resultados que obtive de uma prévia pesquisa relacionada com o perfil dos jogadores de social games. A intenção foi coletar informações em três períodos diferentes (agosto de 2010, janeiro de 2011 e julho de 2011), a fim de apontar possíveis modificações do perfil do usuário de joguinhos sociais ao longo deste tempo.

Os 3 questionários foram aplicados por meio da ferramenta disponibilizada pelo Google Docs. Vale lembrar ainda, que a pesquisa foi desenvolvida com brasileiros e que elas não foram idênticas, existindo algumas variações nas perguntas que tinham ligação com outras pesquisas que eu estava desenvolvendo na época (uma inclusive, junto com a minha amiga e colega Gabriela Zago).

Os questionários foram disponibilizados em sites de redes sociais (como o Orkut, o Facebook e o Twitter) por em torno de 7 (no mínimo) a 15 dias (no máximo). Ainda solicitou-se aos contatos que ajudassem na divulgação do link para o questionário junto a suas redes.

O objetivo da diferença de espaços de tempo entre a aplicação de um ou outro questionário visou coletar e verificar a existência de possíveis diferenças de perfis, ações em jogos específicos e possíveis preferências dos usuários, de modo que, para a tese, seja possível coletar informações sustentadas em dados concretos e já legitimados.

 
a) QUESTIONÁRIO 1
* Período: 7 dias de agosto de 2011
* Total de respondentes: 52
* Idade: entre 19 e 55 anos, sendo a maior parte entre 22 e 30 anos (69%).
* Sexo: 
67% mulheres
33% homens
* Tempo de jogo:
65% todos os dias
19% de 2 a 3 dias por semana
8% uma vez por semana
8% mensalmente
* Quando começou a jogar:
50% há um ano ou mais
29% em torno de 6 meses
21% há em torno de um a três meses
* Período de jogo:
37% jogam por volta de 15 minutos a cada acesso
37% jogam por até uma hora
23% mais de uma hora
4% ficam logado quase todo o dia
* Já começou um novo jogo pela divulgação dos amigos?
56% sim
44% não
* Jogos favoritos:
33% Farmville
17% Mafia Wars,
9% Frontierville
9% Restaurant City
8% Cafe World
6% Treasure Isle Jogos como Bejeweled Blitz, Fifa Superstars, Hotel City, PetVille, Quiz Monstro, Retail Therapy, Wild Ones e Poker também foram mencionados por pelo menos um dos respondentes.
Obs: neste questionário, os respondentes eram todos usuários do Facebook.
* Sobre pedidos de ajuda no jogo
75% costumam pedir a ajuda de seus amigos
25% não pedem ajuda
63% recebem a ajuda dos amigos
33% recebem raramente ou às vezes
4% nunca recebem retorno da solicitação feita aos amigos
* Sobre a participação em outros grupos relacionados ao jogo
19% participam de comunidade ou grupos relacionados ao jogo
81% não participam de nada, a não ser, do jogo.
* O jogo além do jogo
58% conversam sobre o jogo em outros lugares fora do site de redes sociais
42% restringem-se apenas ao ambiente do jogo
 
b) QUESTIONÁRIO 2
* Período: 15 dias de janeiro de 2011
* Total de respondentes: 160
* Idade: entre 9 e 83 anos, sendo a média de idade 27 anos.
* Sexo: 
64% mulheres
36% homens
* Tempo de jogo:
57% jogam todos os dias
43% jogam entre uma vez na semana a uma vez ao mês
* Período de jogo:
35%  jogam de 15 a 30 minutos por dia
20% jogam cerca de uma hora por dia
26% jogam 2h por dia
13% jogam 3h a 5h por dia
6% jogam mais de 5 horas por dia.
* Jogos favoritos:
27% Cityville
21% Mini Fazenda
14% Farmville
7% Frontierville
7% Café Mania
6% Colheita Feliz
4% Máfia Wars
2% Restaurante City
2% Café World
* Quantidade de social games que costumam jogar
44%  jogam apenas um
26% jogam dois
14% jogam três
7% jogam 4
8% jogam 5 ou mais jogos
* Sobre a compra de itens virtuais no jogo
13% já utilizaram seu dinheiro “real” para comprar itens no jogo
87% só usam o dinheiro do jogo (virtual) para adquirir itens no jogo
 
c) QUESTIONÁRIO 3
* Período: 7 dias de julho de 2011
* Total de respondentes: 50
* Idade: 78% entre 18 a 30 anos
* Sexo:
34% homens
66% mulheres
* Tempo de jogo:
54% jogam todos os dias
16% jogam 3 vezes por semana
30% jogam entre uma vez por semana e uma vez por mês.
* Período de jogo:
34% jogam 30 minutos por dia
36% jogam cerca de 1h por dia
16% jogam cerca de 2h por dia
10% jogam de 3 a 4 horas
4% jogam de 6 a 8 horas por dia.
* Jogos favoritos:
46% CityVille
26% Farmville
22% Mafia Wars
22% FrontierVille
22% Café World
20% Colheita Feliz
8% Mini Fazenda
6% It Girl
6% Empire & Allies
Obs: nesta pergunta do questionário, os jogadores podiam marcar mais de uma opção.
* Sobre coleções virtuais
42% colecionam itens virtuais
58% não colecionam
 

 

A partir destas colocações, podemos perceber que o perfil geral dos usuários não parece ter sofrido grandes modificações. As mulheres continuam sendo a maioria (variando entre 64 e 68%). A faixa etária predominante permanece entre os 20 e 30 anos. Verifico também, que mais de 50% dos jogadores (neste período de um ano e meio) jogam seus social games todos os dias, sendo o período dominante o de meia a uma hora por dia (lembrando que existe uma boa porcentagem de jogadores que parecem ser bem mais ativos, jogando mais de 2h diárias).

De acordo com a época, tem-se o SG preferido. Antes do CityVille, o “gigante” era o FarmVille. Hoje, no entanto, com a entrada do The Sims Social, o resultado pode ser diferente (inclusive no que diz respeito ao perfil dos jogadores). Por este motivo, pretendo realizar mais uma entrada prévia no campo do meu objeto empírico, a fim de fechar o total de 2 anos caracterizando este usuário antes de começar a escrever a tese.

É interessante, também, comparar estes dados com pesquisas já realizadas a nível mundial ou em outros países, como esta que foi realizada nos social gamers dos EUA apresentada pela Hive em 2010.

Outras, apontam um perfil interessante e diferente do que encontrei, como esta pesquisa da PopCap Games com usuários do Reino Unido e dos EUA e que foi realizada no início de 2010. Ela aponta que a maior parte dos usuários de social games são mulheres acima dos 40 anos.

Ainda temos os infográficos, como este da Get Satisfaction que diz que as mulheres são 53% do total dos social gamers (desenvolvido no início de 2011), este da Tripwire Magazine que diz que a idade média dos jogadores é entre 20 e 34 anos e este de 2010 da All Facebook que aponta 69% dos gamers como sendo do sexo feminino.

Enfim, são apenas mais alguns dados para confrontarmos com o que achei e começar uma discussão (que é o que pretendo fazer para aparecer no projeto de tese para a qualificação).

Como é de praxe, estes dados apontam apenas uma situação quantitativa, situada em um determinado tempo e espaço  e passível de erros (como a maioria dos brasileiros respondentes estarem vinculados à rede social de um jogador que joga apenas o CityVille e é popular entre os sesu amigos, por exemplo), o que pode ter viciado os resultados.Ainda assim, para uma prévia entrada no campo e caracterização destes perfis de jogadores brasileiros, já é um ótimo começo. 🙂

Identidade Cultural e Social Games

18 Nov

Como vou trabalhar com identidades virtuais na minha tese, tenho centrado o meu interesse em qualquer fator que possa afetar a construção, a manipulação e a visualização das facetas identitárias dos sujeitos no ciberespaço. Assim, tudo o que eu estou pesquisando tem um olhar extremamente tendencioso e detalhista para pensar estas identidades no universo virtual.

No meu seminário da disciplina “Mídias, Cidadania e Identidade Cultural” na Unisinos (ministrado pela professora Jiani Bonin) tento focar essencialmente as apresentações possíveis de identidades culturais de serem observadas nos Social Games. Na verdade tem sido um trabalho bem difícil, pois se eu focasse em uma observação direta (no sentido de inspiração netnográfica, ou seja, de eu estar inserida no local de pesquisa como pesquisadora), estas manifestações possuiriam (provavelmente) uma visibilidade bastante restrita, pois estariam centradas na rede de uma única pessoa. Significa que eu estaria pesquisando a minha própria rede social (de um determinado Social Game) que é praticamente 90% brasileira e gaúcha, afinal, ainda não tenho a liberdade de entrar no perfil dos outros e ver como e com quem eles interagem nestes Social Games. 😛

Desse modo, meus dados não seriam tão legais para comparar  e entender as manifestações de identidades culturais nestes jogos, porque eu teria informações de apenas um perfil cultural.

Por este motivo, acho que vou expandir minha observação do lugar “jogo em si”, para lugares que seriam extensões das interações e do capital social preconizado nestes jogos que apontem facetas das identidades dos jogadores. Por exemplo, páginas, sites, grupos de discussões ou comunidades diretamente ligadas ao Social Game em análise que permitem aos usuários interagirem de forma que sejam manifestados alguns traços particulares de sua cultura.

A minha intenção é compreender o macroprocesso cultural na constituição identitária dos jogadores de Social Games a partir de suas dinâmicas sociais e de seus sistemas de produções de significados culturais que são apropriados pelo jogador ou, ainda, condicionados pelo jogo. Significa que a minha hipótese é que jogadores brasileiros, provavelmente, possam jogar (atuar ou se identificar) no Farmville ou Mafia Wars de forma diferente do que os argentinos ou espanhóis, por exemplo.

Eu sei que a ideia ainda parece bastante ampla e complexa pelo fato de que os Social Games são  limitados nas opções de customização que são oferecidas para os seus usuários. No entanto, a apropriação  que é desenvolvida nesses jogos parece oferecer boas pistas relacionadas à identidade das pessoas. E essa apropriação vai, com certeza, além do avatar do jogador. 😉

Penso que questões ligadas ao território (como mostro na minha dissertação AQUI) possam ser visíveis, não apenas por valores simbólicos (como bandeiras ou vestimentas características de uma localidade ou cultura), como também certas formas particulares de interações sociais culturais e simbólicas destes grupos (como as festas tradicionais, por exemplo) possam ser visualizadas e diferenciadas nestes jogos sociais.

Recentemente estou desenvolvendo também uma pesquisa diretamente relacionada com identidade no ciberespaço em conjunto com a professora e Doutora Suely Fragoso e com a aluna de Design Clara Ungaretti que fazem parte do meu grupo de pesquisa “Mídias Digitais e Design de Interação. Estamos estudando questões super ligadas à identidade nacional (e cultural) de usuários de sites de redes sociais em torno de assuntos específicos. Acreditamos que estes sujeitos deixam “rastros” de diferenças comportamentais na Internet que podem ser visualizados e estudados, fornecendo possíveis pistas de como as pessoas de culturas diferentes, se comportam de formas diferentes.

Enfim, estou achando bem legal esta história toda de identidades culturais e pretendo (em breve) divulgar os resultados e considerações iniciais da pesquisa sobre identidades e Social Games aqui no blog e em possíveis artigos. 🙂