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Social games e a territorialidade

12 May

Faz pouco tempo que saiu a divulgação do social game “Cidade Maravilhosa: Rio” que será lançado no Facebook dia 16 de maio (no Orkut ele já está “circulando”). No jogo, além de administrar a cidade virtual que reproduz o território concreto específico do Rio de Janeiro, os usuários devem manter a sua população virtual feliz, oferecendo diversões e mantendo a cidade agradável.

Observando o jogo, verificamos que existe uma ligação simbólica clara do território concreto com o território virtual do Rio no social game (SG). Podemos compreender esta ligação não apenas pela dinâmica do jogo que estimula ações características das cidades concretas (como a administração da cidade e a busca pela satisfação da população “virtual”), como pela própria apresentação visual do lugar (que tem o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Maracanã e as praias da cidade, ou seja, pontos que ligam a cidade virtual à cidade concreta). Além disso a identidade nacional é facilmente visualizada pela trilha sonora do game (samba), pela língua (português) e pelos próprios jogadores (que acredito que são e serão em sua maioria brasileiros).

As práticas sociais que são desenvolvidas no SG Rio sugerem também um papel fundamental da cultura na criação e busca por lugares virtuais que representam lugares do mundo concreto.Isso significa que além dos estímulos e competição e cooperação com os próprios amigos da rede social que já são estimulados pelos SG, alguns jogos já estão estimulando outro lado de seu público: a sua identidade cultural.

Este lugar virtual desenvolvido pelo SG “Cidade Maravilhosa: Rio” apresenta uma nítida expressão da territorialidade,  pois o espaço (ainda que formado por bits) é delimitado (ou seja, um lugar apropriado pelos sujeitos no ciberespaço), que possui uma identidade particular (no caso, a identidade da cidade do Rio de Janeiro) associada ao sentimento de posse e pertencimento desenvolvido por parte de quem o habita (ou o domina), o que o torna um território virtual. Nele existem relações de poder e regras por parte dos sujeitos que interagem no e com o território (construindo coisas e modificando o seu território virtual que representa a SUA “Cidade Maravilhosa”).

O fato é que esta ligação da territorialidade com games (mesmo com a representação de lugares concretos inespecíficos como cidades, restaurantes e fazendas aleatórias) é bem interessante  por que expressa de forma clara a identidade dos jogadores, não apenas nas formas de interação com os outros usuários e com o próprio jogo, como também com a temática preconizada pelo aplicativo que ainda pode estar diretamente ligada a um território específico do mundo concreto. Vale refletir sobre isso. 🙂

Eu desenvolvi minha dissertação sobre isso, ou seja, sobre território e lugares virtuais reproduzidos em mundos virtuais (no caso, em lugares do Second Life). Ela pode ser acessada AQUI, caso alguém tenha mais interesse nestas questões.

ESPAÇO, LUGAR e TERRITÓRIO

30 Mar



Em um determinado momento da minha dissertação (sob orientação da professora Dra. Suely Fragoso) tentei diferenciar lugares, territórios e espaços (focando no universo virtual). Foi uma tarefa mega difícil e que exigiu com que a gente entrasse (inclusive) em conceitos de autores da geografia.

As nossas idéias partem de reflexões sobre conceitos já desenvolvidos por autores como Foucault (1986), Santos (1997), Augé (2000), Albagli (2004), Haesbaert (2005) e as nossas próprias pesquisas no universo virtual.

Então…

O ESPAÇO é híbrido, infinito, algo conceitual e ilimitado. Quando os atores sociais adaptam o espaço organizando-o em parcelas (ou seja, limitando-o) de forma com que seja possível diferenciá-lo de outras parcelas não apenas pela sua estrutura, dinâmica e organização, tem-se os LUGARES.

Os lugares, por sua vez, serão constituídos por uma identidade e uma historicidade particular que determina os tipos de interações a serem desenvolvidas neles. Eles são “mais situados” do que os espaços.

Quando estes lugares são apropriados pelos sujeitos que nele interagem, nós temos os TERRITÓRIOS. Ou seja, o território é visualizado quando há o desenvolvimento dos sentimentos de pertença e posse, estipulando regras e relações de poder por parte dos sujeitos que interagem no e com o lugar.

No entanto é importante com que compreendamos que tanto o espaço, como o lugar e o território são indissociáveis, ou seja, estas três dimensões (se é que podemos chamar assim) caminham juntas e dependem diretamente do sentido com que os sujeitos atribuem a um determinado ambiente. Obviamente, defendemos que os três conceitos  não se situam apenas na materialidade (no mundo concreto) mas, nitidamente, encontram-se no mundo virtual também. 🙂

É isso!

RESUMO DA “DISSER”

8 Mar

Bom, aí está o resumo da minha dissertação acompanhado das palavras-chave. Foi um trabalho árduo, mas, finalmente, ELA NASCEU. 🙂 O melhor de tudo é que valeu bastante à pena todo o esforço. Assim, com uma banca “show de bola”, super exigente e com comentários bastante pertinentes (formada por Simone de Sá, Gustavo Fischer e a minha orientadora Suely Fragoso), fui aprovada com um 10. \o/

Então, parti rumo ao doutorado, mas antes vou deixar uma “palhinha” da “disser”. Logo, logo eu vou anexar ela (na íntegra) em pdf nos meus PAPERS. 🙂

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O LUGAR NO ESPAÇO VIRTUAL: Um estudo etnográfico sobre as recriações de territórios do mundo concreto no Second Life

A presente dissertação parte do reconhecimento da existência de representações de espaços do mundo físico em ambientes multiusuário online. Pretendemos identificar e discutir as motivações para a criação desse tipo de representação, bem como os modos como as mesmas são utilizadas e apropriadas por seus criadores e outros usuários. Iniciamos o trabalho com uma discussão teórica para diferenciar e definir três conceitos-chave para o tema da pesquisa: espaço, lugar e território. Nossa conceituação foi construída com base em estudiosos do espaço concreto, nas áreas da comunicação, geografia, sociologia e outras. De posse dos três conceitos, entramos em questões relacionadas à sociabilidade mediada pela internet, com especial atenção ao sentido identitário das relações com o espaço. A seguir, discutimos a associação dos usuários aos grupos sociais, lugares e identidades virtuais, com foco na reprodução de lugares concretos genéricos (como parques, florestas e bairros) e específicos (como cidades e monumentos históricos) no ciberespaço. Após uma revisão de diferentes tipos de ambientes multiusuário online, decidimos realizar o trabalho empírico no mundo virtual mulit-usuário (MUVE) Second Life, da Linden Lab. A escolha se deve à maior liberdade criativa que esse aplicativo propicia, à ausência de uma temática rígida e ao uso de várias linguagens (verbal, sonora e visual). A metodologia escolhida foi a etnografia virtual, que realizamos em 3 ilhas do Second Life: Ilha Brasil (representações de lugares genéricos), Ilha RJ City (representações de lugares específicos) e Ilha Brasil Curitiba (representações mistas). Os resultados apontam para a existência de uma ligação simbólica de territórios e lugares virtuais com os territórios e lugares concretos, tanto pela sua dinâmica, identidade e apresentação visual, como pelas práticas sociais que neles têm lugar, o que sugere um importante papel da identidade cultural na criação e busca por lugares virtuais que representam lugares do mundo concreto.

Palavras chave: Espaço, Lugar, Território, Ciberespaço, Etnografia virtual, Second Life, Representações Espaciais, Práticas Sociais, Identidade Cultural, Sociabilidade Online.

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Roubo no Second Life

23 Jul

Pois é, acreditem: existe roubo no Second Life (SL).

O pior de tudo é que eu fui a vítima.

Na verdade, eu tenho que admitir que achava que o máximo que poderia acontecer era jogarem o meu avatar para uma ilha deserta ou banirem a minha entrada em alguma ilha. Mero engano! Até aqui (no SL) já se achou um jeitinho de burlar o sistema e tirar lindens (a moeda circulante do software) de avatares pobres e honestos, como o meu eu virtual. ¬¬

Bom, tudo começou quando eu resolvi fazer minha pesquisa com as “favelas virtuais” do SL (relacionando-as com a identidade cultural e a questão da reprodução territorial…bom, mas isso não vem ao caso).

No entanto, para fazer a minha pesquisa, é necessário utilizar uma etnografia virtual (proposta por Hine), o que implica (em um determinado momento) na imersão da pesquisadora no campo da comunidade em análise, ou seja, eu teria que me fazer “favelada” virtualmente para participar de forma ativa do grupo do pessoal que mora ali.

Só que, para isso, eu teria que “vestir” uma identidade igual a que eles apresentam no ambiente (pelo menos aparentemente). Pensei “vou começar pelas roupas, claro”! Então, de mãos vazias, fui procurar uma forma para ganhar dinheiro a fim de comprar umas botas (umas míseras botas de 18 lindens) que eu achei na favela e que já iriam “quebrar o galho” inicialmente.

É importante salientar, para quem não sabe, que no SL tudo gira em torno do comércio virtual. As pessoas têm que ter dinheiro para comprar coisas “legais” (como as minhas botas) por lá.

Então, eu saí pelo SL em busca de um emprego que não fosse tão chato e que não exigisse tempo. 😛 Fui parar na polícia de uma das ilhas, oferecendo-me para ser uma cidadã virtual da lei. Só que, depois de uma conversa com o delegado, eu descobri que teria que passar por uma série de testes para fazer parte do batalhão e, só então, receber algo. Verifiquei, então, que todo esse processo não iria otimizar o meu tempo. Pelo contrário, iria me atrasar mais ainda, pois eu tenho que terminar estes artigos pendentes do mestrado, o quanto antes.

Assim, saí desanimada da delegacia e encontrei um “traficante virtual”. Fiz amizade com ele e perguntei sobre as formas mais rápidas de se ganhar dinheiro dentro do software de maneira que eu não precisasse ficar dedicando o meu tempo “jogando” no SL. Ele me deu uma luz, lembrou-me da existência de cadeiras que te oferecem lindens, por um determinado tempo, que ficas sentado ali (eu já sabia disso quando fiz meu TCC, só que, não sei o porquê, havia deletado da minha memória).

“Perfeito”!!! Era isso mesmo que eu precisava: colocar o meu avatar num banquinho e esquecer dele ali, enquanto fazia meus artigos e ganhava os lindens para comprar a bota da favela.

Chegando lá, o esquema era o de pagar 3 lindens por cada meia hora sentada na cadeira. Assim, obviamente, eu precisaria ficar 3h sentadinha ali para conseguir os 18 lindens para a minha bota de “favelada-virtual”. Tudo bem, a minha meta era passar a tarde dedicando-me aos artigos, não ia custar-me nada deixar o SL rodando paralelamente ao Word. 😛 “Vamos lá”, pensei.

Assim, passaram-se uma, duas….três horas (acreditem: eu fiquei 3 horas sentada numa cadeira virtual para ganhar 18 LINDENS). Cheguei a contar os segundos finais, ansiosa para fazer minha primeira compra na vida virtual do SL. “Segundos..5…4…3…2…1”!!!!!! Puf (saltei tri feliz da cadeira)!!!

Aí, olhei os meus lindens e… SURPRESA! Os meus lindens não estavam comigo!!!! ARGSSSS!!!!! “COMO ASSIM? FIQUEI 3H NUMA CADEIRA PARA NÃO GANHAR NADA????”

Foi nesse momento que eu olhei para baixo de mim e encontrei um avatar deitado na minha cadeira, contando o tempo normal da cadeira E COM OS MEUS 18 LINDENS ¬¬ . Primeiramente não entendi o porquê disso. Fiquei confusa. Tentei falar com o avatar, imaginando que ele fosse uma boa “pessoa-virtual” e que compreendesse a minha situação a fim de concordar com uma pequena “pane” do “sistema das cadeiras” do SL e que devolvesse os meus 18 lindens. ¬¬ Ilusão minha. O avatar simplesmente me ignorou. Fez como que se eu não estivesse ali.

Aí, lembrei do meu amigos traficante e voltei para a favela a fim de perguntar como o meu dinheiro foi transferido para o avatar que se deitou depois de mim?

A resposta foi essa: “se você está nestes lugares ganhando dinheiro virtual de forma fácil, você não pode deixar que outros avatares sentem aonde você está, pois eles ficam ocupando o lugar do sistema do SL que diz para pagar lindens para a pessoa que está ali. Logo, no momento que você levanta, já tem outro avatar ali, então o dispositivo de que alguém parou de ficar sentado na cadeira e que é hora de pagar para este residente, não é liberado, sendo, automaticamente, o dinheiro ganhado por ti, transferido para o outro avatar, como se ele estivesse ali o tempo todo.”

Apesar de não ter esclarecido o suficiente (pois é…como o sistema do SL pode ser tão monga nisso? Como ele iria tirar os meus lindens? Por que a cadeira do SL não é “mais inteligente?”)… O fato central era que EU FUI ROUBADA (não importava mais “o como”). 😛 …Imaginem como eu fiquei.
Está certo que era só um par de botas da favela e que de repente o meu “amigo favelado” do SL me contou uma baita mentira (como vou saber, até então?), mas o sentimento de perda, de roubo permaneceu em mim….TINHAM QUE ME ROUBAR NA PRIMEIRA VEZ QUE EU TENTO GANHAR ALGUM DINHEIRO NA VIDA VIRTUAL? Fiquei “hipermente”, “megamente”, “mastermente” de cara a ponto de não conseguir mais fazer os meus artigos. Odeio gente que tenta dar de espertinho sobre outros! Odeio gente que quer pular etapas e dar o “jeitinho brasileiro” para subir na vida de forma que prejudique quem está fazendo as coisas de maneira “certinha”. 709547690763931 X ARGS!

Pois é, mais uma prova de que a realidade virtual (destes softwares que simulam a vida offline) não se diferencia tanto assim da realidade concreta.

Enfim, foi o que aconteceu.
O resultado final: fiquei sem botas, sem a finalização do meu artigo e tri irritada. ¬¬

Pós-Congresso

2 Jun


Depois de 18 horas de viagem, estou de volta à “terrinha”.
Tenho que admitir que até que não foi tão horrível assim. A minha primeira experiência com apresentações em GTs foi menos pior do que eu imaginava (acho que isso deixou-me mais “feliz” diante de tanto apavoramento). 😛 O pessoal do meu grupo apresentou trabalhos bem interessantes, o que gerou uma discussão legal sobre fatos provenientes da cibercultura.

O mais legal foi ouvir a primeira pergunta após a apresentação (que era a pergunta de muitos ali dentro): “eu gostaria de saber… O que tu és da Raquel?”.
Foi ótimo. ¬¬
Segundo a Suely (minha orientadora), eu tenho que me casar bem rápido para mudar o meu sobrenome (acho que isso foi “pilha da Raquel, tenho certeza).

Enfim, mais informações sobre o congresso no blog do pessoal da ECOS/UCPel. Eles fizeram a cobertura completa do evento (que por sinal está bem legal). 🙂

INTERCOM SUL

26 May

Quarta-feira estou indo rumo ao Intercom Sul que será realizado em Guarapuava, no Paraná.

Apesar de já ter uma certa experiência em apresentações de artigos (devido à Iniciação Científica), confesso que estou medianamente nervosa (…ok…bastante, “quase muito nervosa”), pois este será o meu primeiro artigo como MESTRANDA. :/ Isso significa que eu não fico mais no Iniciacom (o qual eu participei por 3 anos). 🙁 A partir de agora é o INOVCOM, ao qual eu estarei junto com doutores, doutorandos, mestres, mestrandos e outros profissionais da área @.@.

Meu trabalho se chama “O capital social na construção de ciberidentidades no Second Life”. Ele tenta compreender como se dão as construções de novas formas de apresentação do sujeito dentro do ciberespaço com base em valores sociais. Foca o software Second Life (SL) e busca entender como o capital social, proveniente da interação entre os usuários do SL, influencia na apresentação do indivíduo na sociedade virtual (tanto na forma física como mental).

Bom, eu fiz uma etnografia virtual (que por sinal é bem divertida, porém, trabalhosa de ser feita), utilizando ferramentas para a compreensão e caracterização dos novos sujeitos que fazem parte do ciberespaço. Depois eu tentei propor (é…digamos que aqui eu me arrisquei um pouquinho), uma classificação dos avatares do SL referente à finalidade e a ambição do sujeito que nele atua. Assim, tentei caracterizar o SL como uma peça original de grande importância na construção de possíveis “novos fragmentos identitários” sócio-virtuais com base nos valores preconizados pelos seus usuários. Bom, foi isso! Agora volto ao estudos (para variar, estou atrasada). 🙁