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O ciberespaço dos cães

28 Apr

Recentemente comprei uma linda Dachshund arlequim de tamanho kaninchen e de cor prata (chamada Apple) e, como toda boa geek apaixonada por animais, fui realizar um cadastro dela no site de redes sociais (SNS) “canino” Dogster.

No entanto, no caminho resolvi verificar se havia outro site mais interessante (ou mais completo) do que o Dogster e descobri que existem muito mais sites de redes sociais para cães do que eu imaginava. Temos o Dog Network, o Pet´s Universe. o Doggy Space, o Petkut, o Orkutpet, o Dogtree, o Fuzzster, entre outros (ainda temos SNS específicas para gatos e cavalos também, basta procurar).

O fato é que é interessantíssimo como as pessoas gostam de imaginar o que o seu bichinho sente (ou pensa). Assim, elas manifestam estas  vontades com o apoio destas ferramentas virtuais capazes de tornar o animal de estimação um padrão de informação.

Podemos pensar o perfil do animal nos sites de redes sociais como um fake, afinal, não é realmente o cachorro quem está teclando ou postando fotos. Entretanto, penso que ele se diferencia de grande parte dos outros perfis fakes (como de artistas famosos ou de personagens fictícios) pelos seguintes fatos:

  1. O cachorro existe, está lá, ao nosso lado (logo, ele não é algo fictício em sua totalidade).
  2. Não idealizamos ser o cachorro (como no caso de vários outros fakes), apenas tentamos nos colocar no seu lugar.

Assim, observa-se que há uma personificação do animal que passa a interagir com outras personificações de outros animais e, inclusive, com outras pessoas virtuais além da sua “matilha humana”. Significa que os animais parecem adquirir um “lugar de fala” no ciberespaço a partir das percepções que seus próprios donos fazem de sua identidade canina.

Verifica-se também que (de certa forma) há uma experimentação identitária que ultrapassa (ou nem chega) a vontade de “ser” algo ou alguém, mas sim que atinge a vontade de que alguém “seja” algo (conforme pensamos que ele é ou que gostaríamos que ele fosse).  Desse modo, pessoas usam de estratégias de personalização de sites de redes sociais focando não uma “construção de si” ou uma “narração do eu”, mas uma construção do outro, uma narração do outro que é visualizado em seu animalzinho (agora virtual) a fim de que o processo comunicativo (entre pessoas, no caso) possa ser estabelecido com o cão.

Assim, percebendo o “outro” com as mesmas competências comunicativas no SNS (ainda que um cachorro) é possível interagir e julgá-lo de forma humana (DONATH, 1999).

Esta personificação é tão grande que ainda podemos observar a tentativa de que os próprios animais possam “falar por si” em grandes sites de redes sociais como o Twitter. Como exemplo, citamos o mecanismo Puppy Twetts em que o cachorro “tuita” o que quer por meio de um aparelho que realiza uma tradução condicionada de seus latidos para o inglês.

Este processo de construção identitária do perfil do cachorro na internet acompanha os mesmos passos da construção constante do self humano. Postamos fotos de todo o desenvolvimento do animal, respondemos mensagens enviadas a ele,  atualizamos seus gostos, etc. É mais ou menos o que trabalha Döring (2002) quando estuda as construções identitárias no ciberespaço.

Além destes SNS específicos para animais, não podemos esquecer dos nossos tradicionais Facebook, Orkut, Twitter e Plurk que já sofrem apropriações destes donos ávidos pela comunicação de seus bichinhos. Significa que já nestes sites voltados para relacionamentos (humanos, no caso), há apropriações individuais para a construção do outro (enquanto cão) em um espaço “público” e virtual.

Os próprios games e os social games já inserem o mundo dos bichos no ciberespaço  para seus assíduos jogadores. Como exemplo, nós temos a Nintendogs, o Happy Pets e o Pet Society caracterizados por serem jogos em que as pessoas devem cuidar, sociabilizar, exercitar e agradar os seus animais virtuais de estimação para “evoluírem”  no game. Mas estes casos já se constituem em uma outra história (ou post).

O fato é que dá certo. As pessoas possuem empatia com outras pessoas que tentam entender os animais e apresentá-los em perfis humanizados nos SNS. O resultado está nos vários sites de redes de relacionamento específicos para animais. Assim, além de tratarmos nossos bichinhos como se fossem pessoas na vida concreta, ainda tentamos fazer com que eles hajam como pessoas também na vida virtual. 🙂

Mas o que isso muda na vida dos nossos animais?

Bom, primeiramente o seu cachorro não faz ideia da abrangência de pessoas que o conhecem.  Ele pode aumentar as suas chances de conseguir uma “namorada” em potencial (de acordo com as exigências de seu dono), tem mais chances de se tornar famoso (como a cantora webcelebridade canina Wishka com seus vários vídeos).  Depois muda o fato de que nós utilizamos mais tempo de nossas vidas nos passando por intermediadores deles do que interagindo diretamente com eles. 😛

Fora isso, o seu cãozinho não faz ideia do que seja este mundo virtual ao qual agora, ele também faz parte.

 

DONATH, J. S. “Identity and deception in the virtual community”, in KOLLOCK P. & SMITH, M. (orgs.). Communities in Cyberspace. New York: Routledge, 1999.
DÖRING, N. “Personal home pages on the web: a review of research”, in Journal of Computer-Mediated Communication, no 7, vol. 3, 2002. Disponível em: <http://jcmc.indiana.edu/vol7/issue3/doering.html>. Acesso em: 27/04/2011.

 

Desejos de consumo

26 Sep

É, eu queria o iPhone, mas depois que soube do preço aqui no Brasil, acabei desistindo de economizar com a finalidade de adquiri-lo. :/ Parti para outro sonho de consumo: o iPod Nano. Dessa vez, eu vi uma “luz no fim do túnel” de consegui-lo mais barato através da viagem que a minha irmã vai fazer para a Dinamarca. Mesmo assim, tenho medo de pensar muito nele. 😛


…O pai diz que eu fico querendo coisas de mais (e coisas que são caras). Mas é real é que eu sempre “me ralo” nas coisas que o meu desejo capitalista se prende.

Aos 6 anos de idade que queria um filhote leão de verdade para criar com meus cachorros aqui em casa (santa ingenuidade). Eu dizia para o pai que sabia tudo sobre como criá-lo, pois eu assitia ao National Geographic. Obviamente, não rolou. Ganhei um leão de pelúcia. ¬¬
Aos 15 anos, eu queria um cavalo Andaluz. No entanto, a verba disponibilizada pela família para os 15 anos de cada um dos 5 filhos seria mega ultrapassada. Logo, fui cortada.
Quando me formei eu queria uma moto massa (mas simples). Esta foi cortada porque não se encaixava nas medidas de segurança previstas pela família.
Quando me formei na segunda faculdade eu queria um iMac. Não rolou também (era tri caro), mas, pelo menos, ganhei o iBook usado da Raquel (esse, até hoje acompanha-me fiel).
No mestrado, pela primeira vez, resolvi guardar tudo que era dinheiro que conseguia e, finalmente, comprei uma coisa que queria muito: um MacBook . No entanto, com a minha super sorte, ele veio com problema na placa de vídeo. Resultado: devolvi (pelo menos, consegui o dinheiro de volta).

Então,apavora-me um pouco querer estes objetos de consumo porque eles nunca contribuem muito com a minha pessoa ainda mais que é quase certo que a gente nunca ganha. 😛 Mesmo assim, o iPod parece que tem mais chance de rolar e nesse eu vou investir meus pensamentos positivos. Só espero que ele não venha com problemas, pois a troca ficaria bem mais complicada, né. 😛


Não vou perder mais…e PONTO! ¬¬

2 Apr

Ok. Dizem que temos que saber perder. No entanto, no meu ponto de vista, essa afirmação tem suas exceções.

Hoje perdi quase tudo de “valores materiais” aos quais necessitava ultimamente. Primeiro foi a “lavada” que levei no Winning Eleven do Fred. Aí, veio a queda repentina da Internet do PC do meu quarto (sem contar que eu explodi a CPU novinha ao ligá-la na voltagem errada…tá, mas esse eu admito que foi “monguice” minha).

Depois foi meu iBook (problemas no HD)…logo, logo, foram os fones do meu iPod (simplesmente alguém resolveu pisar em cima deles). Seguindo, o meu celular da Tim resolveu morrer (só porque eu comprei um da CLARO, aposto ¬¬) e, para finalizar o tema das “perdas materiais”, o meu Mac simplesmente resolveu nunca mais ligar (detalhe: com 8 dias de uso).

Até o celular, eu fui aceitando pouco a pouco, pensando que eu estava em uma tempestade de Murphy com relação às novas tecnologias (não consigo entender o porquê delas estarem contra mim se eu sou tão a favor delas…). Mas o meu MacBook, com pouquíssimos dias de uso já é de mais! Aí já pegaram pesado.

Estou de cara. E o pior é que o pessoal da Submarino mandou eu levar ele na loja de assistência técnica da Apple de POA (a SOMA), o que significa que não terei TROCA INTEGRAL do meu produto que veio com DEFEITO (eu juro, não deixei ele cair em nenhum lugar! Ele ta novinho. Eu cuido dele como se fosse meu filho!).

Indignada, resolvi ler o regulamento da Submarino sobre trocas de produtos com defeito. Aí, descobri que SOMENTE COM 7 DIAS os produtos podem ser trocados na íntegra, ou seja, o meu Mac resolveu pifar no oitavo dia só para eu não poder trocá-lo por um aparelho novo, SEM DEFEITO. ¬¬ Eu paguei à vista, usei toda a minha poupança recolhida como professora substituta da UFPel e (vejam bem) a situação que me ocorreu. É ou não é de se indignar? ¬¬

Mas…Enfim, não tenho o que fazer, a não ser esperar que as novas tecnologias da comunicação aceitem-me como uma pessoa que quer estudá-las e que tem grande admiração por elas. Ou então posso, simplesmente, deixar que essa onda “azarística” passe de uma vez, afinal, dizem que depois da tempestade, sempre aparece o sol, certo? (Não precisam responder se estiverem em dúvida.). Mas, Qque fique claro: EU NÃO VOU DESISTIR FACILMENTE. 😛