Archive | June, 2012

Curso de “REDES SOCIAIS: conceitos e aplicações em Marketing”

26 Jun

 

Nos dias 23, 24, 25 e 26 de julho estarei na ESPM lecionando um curso sobre “Redes Sociais: conceitos e aplicações em Marketing” nos horários das 19h às 22h30. Neste curso, viso abordar as principais teorias e conceitos das redes e como eles podem ser pensados, aplicados e otimizados nas ações de marketing nos diferentes sites de redes sociais na internet.

As aulas serão divididas em quatro módulos:
* AULA 1: Introdução às Redes Sociais
* AULA 2: Conceitos Básicos de Redes Sociais
* AULA 3: Sociabilidade em Redes Sociais na Internet
* AULA 4: Redes Sociais na Internet e o Marketing Digital

O único pré-requisito é o prévio conhecimento e experiências com algum site de redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter, Plurk, etc.).

Fico no aguardo de sua presença! =)

Para mais informações acesse o manual do candidato fornecido pela ESPM.

 

Redes sociais são praças modernas?

13 Jun

No post de hoje apresento uma entrevista que forneci para a querida aluna Vanessa Maciel. =)

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Por Vanessa Maciel*

 

O modelo de comunicação básico diz que o meio é o lugar por onde passam as mensagens que enviamos. Com as mídias sociais, nossas redes de contato, ou redes sociais, viraram o meio – ou um meio de compartilhar, reclamar, conversar, fazer contatos. Nunca o termo “fazer a social” caiu tão bem, não é?

Como a comunicação no Twitter, Facebook, blogs , Google + e a maioria das mídias sociais, os espaços informacionais são mais públicos. A gente fica sabendo de muita coisa interessante e inovadora, mas como tudo tem um lado ruim, também tomamos conhecimento que fulana está com TPM, ou que o dono do perfil está indo tomar banho, ou que sicrana quebrou a unha. O tipo de coisa que faz toda diferença para o mundo, sabe? Hora de ativar o filtro, rápido e mortal.

Os espaços que servem como meio para nossas mensagens, as timelines, as walls e os espaços para comentários, são as praças modernas. O Facebook  possibilita que várias pessoas comentem em um post seu. Você pode ir ali e comentar nessa conversa, ir ali e dar sua opinião, ir ali e curtir. Como uma praça ou uma festa. Estamos vivenciando uma mudança significativa na comunicação: pessoas estão se comunicando mais, compartilhando mais, broadening their concepcions of the world. Se isso é moderninade, que ela seja bem vinda. A praça é nossa!

Para entender um pouco mais sobre como a sociedade utiliza essas ferramentas, Vanessa Maciel entrevistou Rebeca Rebs, jornalista, pesquisadora em Cibercultura, doutoranda e mestre em Ciências da Comunicação. Rebeca também é professora de MBA e palestrante em torno dos temas redes sociais, social games, identidade virtual, comportamento, consumo e cultura digital.

 

As mídias sociais estão tendo um papel importante na construção de uma nova democracia?

Sim. O surgimento das mídias sociais vem das apropriações e usos de ferramentas tecnológicas que priorizam uma interação participativa, colaborativa, criativa e, acima de tudo: livre. Há novos espaços virtuais que suportam o desenvolvimento de uma cultura que faz manifestação social, preza pela circulação livre de informações e pela busca de transparência em processos políticos. Estes espaços são ambientes coletivos de construção democrática, pois pessoas “comuns” e de diferentes classes sociais manifestam-se de forma igual e constroem ideias que são rapidamente distribuídas para muitas outras pessoas. Além do potencial massivo, essas ideias viabilizam a organização de ações sociais que não seguem a estrutura “tradicional” do poder, pois o cidadão comum adquire voz e visibilidade para o que está publicando e/ou organizando. Com um blog, site ou uma conta no Twitter, as pessoas viram protagonistas de mensagens capazes de transformar ações políticas e promover uma democracia que “nasce” no ciberespaço. O controle desta informação é feito de maneira coletiva: as formas de movimentação, escolha, filtragem e difusão da informação se dão a partir de pessoas comuns (produção de conteúdo descentralizada). Assim, essas redes sociais associadas ao suporte de diferentes ferramentas são verdadeiras mídias com a incrível capacidade de promover a democracia.

 

As pessoas se sentem mais à vontade para reclamar ou compartilhar uma opinião nas redes? Se sim, por quê?

Sim – e por inúmeros fatores. Um deles é que as pessoas podem ter a “proteção” do anonimato, o que confere “segurança física” (ainda que descredibilize a informação pela falta de identidade objetiva). O sujeito conta com ambientes virtuais que estimulam debates e dinamizam a divulgação de informações, desenvolvendo uma cultura de “compartilhamento” e liberdade de expressão, que impulsiona o desejo de participação e desperta um potencial crítico: as pessoas começaram a ver, julgar e construir opiniões de forma mais livre e “sem medo”. Observe a quantidade de blogs políticos que são desenvolvidos por cidadãos comuns e que possuem uma grande audiência e credibilidade social.

Também, com a facilidade de se relacionar com pessoas geograficamente dispersas, encontra-se outra forma de partilhar valores comuns que tem o suporte de redes sociais que se constroem em torno de um capital social institucionalizado, proveniente da formação de verdadeiras comunidades virtuais. Isso significa que a informação que alguns disponibilizam na rede pode ter o apoio e a divulgação de seus amigos que partilham da mesma ideia, o que é mais um estímulo para o sujeito se sentir encorajado a compartilhar sua opinião e possíveis reclamações pela Internet.

 

A presidente Dilma já disse que “A internet, do ponto de vista da política, é a moderna praça”. Também já se foi dito que mídias sociais são a Ágora dos tempos modernos. Você concorda?

Sim, já que a internet oferece e amplia os lugares para os cidadãos discutir, construir, colaborar, protestar e divulgar informações em uma escala potencial jamais vista. Há a construção de um espaço público (ainda que virtual) que suporta discussões de cidadania e política, auxiliando no desenvolvimento de um senso crítico individual e coletivo a partir do estímulo à participação e à expressão. É visível o quanto discussões criadas nestes espaços virtuais são levadas em conta por grandes autoridades e instituições, principalmente pelo seu grande poder de disseminação, “recirculação” e capacidade de formar opiniões. Por isso a referência à “praça moderna”: um lugar público onde nos encontramos para manifestar livremente opiniões, em especial, a política. É importante lembrar que nem todos possuem acesso a esta “praça” (o que não inviabiliza esta qualidade democrática do meio).

 

Qual a melhor vocação das redes sociais: pessoal ou corporativa?

Não há como determinar “a melhor”. Seja uma vocação pessoal (voltada para a formação de laços sociais ou a busca por informações de interesse particular) ou uma vocação corporativa (busca por visibilidade e divulgação de ações), o importante é compreender o objetivo do site onde se buscará a construção da rede e agir de acordo com os valores preconizados pelo ambiente, para então, adquirir resultados positivos. Tudo depende da forma como os sujeitos vão se apropriar do site (e da função para qual ele foi criado), realizando um uso que beneficie o seu objetivo pessoal ou corporativo.

 

Sobre a durabilidade do que está sendo exposto – você acredita que coisas ficam obsoletas muito rápido devido à rapidez no tráfego de informações?

De certo modo, sim – mas isso não se deve unicamente à forma de constituição do meio, mas ao modo como as pessoas trabalham nele. Estamos inseridos em uma sociedade que valoriza a informação, o imediato e a velocidade de interações, o que implica no surgimento de inúmeras informações ao mesmo tempo. O excesso de informações é característico da sociedade atual, sendo o critério “atualidade” um dos modos de valorização e seleção do que você vai divulgar na rede. Algumas informações são potencializadas ainda mais pelas mídias sociais, adquirindo visibilidade muito grande. Outras ficam obsoletas pelo tráfego informacional devido à rápida “desvalorização” da informação, considerada “passado” ou sem importância para o momento. Porém há o outro lado: pela capacidade de memória (de armazenamento de informações), a web possibilita que discussões geradas em torno de determinado assunto voltem à tona. O que foi publicado, fica lá… exposto, pronto para ser lido novamente por milhões de outras pessoas. Isso propicia um possível movimento de “recirculação” da informação, capaz de torná-la, novamente, pauta (ou até mesmo notícia) pelos próprios internautas que divulgam, apropriam e ressignificam estas informações para as suas redes sociais.

 

Vanessa Maciel é publicitária, com os dois pés no jornalismo. Faz pós-graduação em marketing digital e trabalhou como redatora publicitária. Hoje é gestora de conteúdo e assistente de convergência na i2 Inteligência,  além de colaborar com o portal GogoJob.