Archive | November, 2010

Identidade pelo texto nos Social Games

23 Nov

Faz pouco tempo que desenvolvi um artigo referente às possíveis formas de manifestações identitárias dos usuários dos Social Games por meio da ESCRITA que eles divulgam para a sua rede social.

Observei os textos divulgados nos feeds de notícia do Facebook, nos perfis dos usuários (na opção “mural”), no envio de mensagens nas “notificações” dos usuários e em grupos de “ajuda” formados em torno do jogo social Frontier Ville.

Parto de que através de uma análise do significado da escrita que é publicada nestes espaços textuais do Facebook, é possível identificarmos pequenos traços que compõe facetas identitárias dos sujeitos, oferecendo assim “pistas” de quem eles são, de seus gostos, de seus valores e de seus grupos de pertença.

Então, tentando entender como o texto construído, visualizado e interpretado possui ligação com o processo de identificação dos jogadores de Social Games (SG), indiquei alguns pontos iniciais (e ainda em desenvolvimento) que parecem ser importantes para a análise do texto como indicador de identidade.

  • Identidade pela produção e entendimento do IDIOMA

Questões referentes à identidade podem ser observadas pelo idioma que é escrito (como por exemplo, alguém que faz um pedido em português, provavelmente é um falante do português). Do mesmo modo, a compreensão do que está escrito nestas mensagens tem ligação direta com a cultura (origens) do sujeito e com as suas competências relacionadas ao idioma apresentando. Significa que o pedido de gifts para o Social Game feito na língua inglesa (padrão do Frontier Ville) limita a compreensão da solicitação aos entendedores do inglês, o que estará diretamente relacionado com a identidade cultural (conforme vimos neste outro post aqui) e competências intelectuais dos jogadores.

  • Identidade pela produção e entendimento de GÍRIAS e SÍMBOLOS escritos

Outra questão relacionada ao entendimento do texto e a possíveis manifestações identitárias está ligada às práticas de significados criadas por grupos sociais que se apropriam de maneiras de construção da linguagem, gerando gírias e outras formas de escrita com intenções possivelmente funcionais ou caracterizadoras de sua identidade. As mensagens apresentam “combinações” de letras que não fazem parte da língua em sua originalidade, como o “heheheheeh”, o “hahahahaah” e o “LOL”, indicando significados de “gargalhadas”, “risos”, abreviações (como a do LOL –laughing out loudly), ou até mesmo estados de espírito dos sujeitos (como as “carinhas” “:)” ou “:(”).

Apesar de esta característica ser “universal” na comunicação mediada pela Internet, ela parece indicar uma identidade coletiva, caracterizando significados particulares de grupos sociais e suas formas de comunicação, como é visualizado também nas publicações escritas referente aos Social Games.

  • Identidade pela produção e entendimento do CAPITAL COGNITIVO DO JOGO

A compreensão de sinais, gírias, símbolos, sentidos e comportamentos a partir de informações que registram elementos de uma comunidade (que nem sempre é compreendida por todos os usuários que fazem parte do mesmo site de redes sociais) é outro indicativo de identidade presente nos SG. Novamente, entra em questão uma identidade coletiva de vários jogadores que partilham, assim, de um capital social comum. É o caso de mensagens onde usuários solicitam visitas em seus sítios do Frontier Ville, pedem ajuda em suas plantações e materiais de construção. Um sujeito que não conhece o SG Frontier Ville e que não tenha informações destes aplicativos nos sites de redes sociais, pode ficar confuso ao verificar que um sujeito pede para que “reguem” os seus amendoins em seu sítio virtual.

  • Identidade pelas ESCOLHAS DO TEXTO PRONTO

Mesmo com discursos prontos disponibilizados pelo próprio aplicativo (ou seja, onde o jogador tem a possibilidade apenas de aceitar ou não o que publicar), as próprias escolhas já podem indicar o que o sujeito quer ou não mostrar para a sua rede social, construindo determinadas impressões (por meio da escrita ou do texto pronto) para os seus amigos.

“…eu não publico as coisas do jogo pra todo mundo. eu escolho as pessoas que eu quero que vejam, pq se não vão me achar um chato de tanta encheção de pedidos relacionados ao jogo…”

Do mesmo modo, ao consentir a visualização de mensagens prontas relacionadas ao jogo para a sua rede social, o  jogador permite com que surjam interpretações (e julgamentos) de sua identidade pelos seus “amigos”.

  • Identidade pelas MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS ESCRITAS

Através da escrita produzida pelos jogadores e publicada para a sua rede social (referentes ao jogo), os usuários de Social Games deixam transparecer gostos pessoais para os seus amigos (do mesmo modo que manifestam traços de sua identidade). Assim, as descrições de características pessoais ligadas à própria dinâmica do jogo também podem indicar facetas de sua identidade manifestada pelo texto. Trata-se então de um processo pela qual o sujeito define a si mesmo de forma (talvez) não consciente a partir de símbolos visuais convencionais que seguem dinâmicas sociais específicas de determinados lugares no ciberespaço, como no caso, do Frontier Ville.

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Apesar de ser um estudo inicial (em um artigo que logo, logo será publicado), verifico que será essencial para a minha pesquisa aprofundar esta compreensão dos textos prontos e criados pelos jogadores destes Social Games como ferramentas importantes para visualizarmos e interpretarmos perfis identitários, o que indica a necessidade de compreender estas manifestações por meio da escrita como mais um processo a ser considerado para o estudo de formações identitárias no ciberespaço.

Identidade Cultural e Social Games

18 Nov

Como vou trabalhar com identidades virtuais na minha tese, tenho centrado o meu interesse em qualquer fator que possa afetar a construção, a manipulação e a visualização das facetas identitárias dos sujeitos no ciberespaço. Assim, tudo o que eu estou pesquisando tem um olhar extremamente tendencioso e detalhista para pensar estas identidades no universo virtual.

No meu seminário da disciplina “Mídias, Cidadania e Identidade Cultural” na Unisinos (ministrado pela professora Jiani Bonin) tento focar essencialmente as apresentações possíveis de identidades culturais de serem observadas nos Social Games. Na verdade tem sido um trabalho bem difícil, pois se eu focasse em uma observação direta (no sentido de inspiração netnográfica, ou seja, de eu estar inserida no local de pesquisa como pesquisadora), estas manifestações possuiriam (provavelmente) uma visibilidade bastante restrita, pois estariam centradas na rede de uma única pessoa. Significa que eu estaria pesquisando a minha própria rede social (de um determinado Social Game) que é praticamente 90% brasileira e gaúcha, afinal, ainda não tenho a liberdade de entrar no perfil dos outros e ver como e com quem eles interagem nestes Social Games. 😛

Desse modo, meus dados não seriam tão legais para comparar  e entender as manifestações de identidades culturais nestes jogos, porque eu teria informações de apenas um perfil cultural.

Por este motivo, acho que vou expandir minha observação do lugar “jogo em si”, para lugares que seriam extensões das interações e do capital social preconizado nestes jogos que apontem facetas das identidades dos jogadores. Por exemplo, páginas, sites, grupos de discussões ou comunidades diretamente ligadas ao Social Game em análise que permitem aos usuários interagirem de forma que sejam manifestados alguns traços particulares de sua cultura.

A minha intenção é compreender o macroprocesso cultural na constituição identitária dos jogadores de Social Games a partir de suas dinâmicas sociais e de seus sistemas de produções de significados culturais que são apropriados pelo jogador ou, ainda, condicionados pelo jogo. Significa que a minha hipótese é que jogadores brasileiros, provavelmente, possam jogar (atuar ou se identificar) no Farmville ou Mafia Wars de forma diferente do que os argentinos ou espanhóis, por exemplo.

Eu sei que a ideia ainda parece bastante ampla e complexa pelo fato de que os Social Games são  limitados nas opções de customização que são oferecidas para os seus usuários. No entanto, a apropriação  que é desenvolvida nesses jogos parece oferecer boas pistas relacionadas à identidade das pessoas. E essa apropriação vai, com certeza, além do avatar do jogador. 😉

Penso que questões ligadas ao território (como mostro na minha dissertação AQUI) possam ser visíveis, não apenas por valores simbólicos (como bandeiras ou vestimentas características de uma localidade ou cultura), como também certas formas particulares de interações sociais culturais e simbólicas destes grupos (como as festas tradicionais, por exemplo) possam ser visualizadas e diferenciadas nestes jogos sociais.

Recentemente estou desenvolvendo também uma pesquisa diretamente relacionada com identidade no ciberespaço em conjunto com a professora e Doutora Suely Fragoso e com a aluna de Design Clara Ungaretti que fazem parte do meu grupo de pesquisa “Mídias Digitais e Design de Interação. Estamos estudando questões super ligadas à identidade nacional (e cultural) de usuários de sites de redes sociais em torno de assuntos específicos. Acreditamos que estes sujeitos deixam “rastros” de diferenças comportamentais na Internet que podem ser visualizados e estudados, fornecendo possíveis pistas de como as pessoas de culturas diferentes, se comportam de formas diferentes.

Enfim, estou achando bem legal esta história toda de identidades culturais e pretendo (em breve) divulgar os resultados e considerações iniciais da pesquisa sobre identidades e Social Games aqui no blog e em possíveis artigos. 🙂

Curso de Redes Sociais

13 Nov

Seguindo a minha ida para Caxias, fui convidada para ministrar um mini curso sobre REDES SOCIAIS para os alunos do Design da Faculdade América Latina. Ele teve duração de duas noites (totalizando 6h).
O curso tratava de conceitos bem básicos sobre redes sociais, questões ligadas à sociabilidade nos sites de redes sociais e algumas dicas para estudar e se comportar nestes sites.

Foi bem divertido. A turma era super participativa e muito interessada. Saí de lá super satisfeita.

Para quem tiver mais interesse no ramo das redes sociais, segue o AQUI o link para o livro da Raquel. 🙂

Identidade do Consumidor nos Ambientes Virtuais e Presenciais

12 Nov

Recentemente estive em Caxias do Sul dando uma palestra sobre “IDENTIDADE DO CONSUMIDOR NOS AMBIENTES VIRTUAIS E PRESENCIAIS” para os alunos do Design da Faculdade América Latina. O assunto girava em torno de como essa identidade é construída com a presença das tecnologias da informação e da comunicação e como ela pode ser visualizada a partir dos vários “rastros” que os sujeitos deixam no universo virtual. Assim, tracei paralelos com o mundo concreto, mostrando o que mudou e o que permanece igual (porém potencializado) com estas transformações da Era Digital nas múltiplas facetas identitárias das pessoas.