Archive | July, 2008

Roubo no Second Life

23 Jul

Pois é, acreditem: existe roubo no Second Life (SL).

O pior de tudo é que eu fui a vítima.

Na verdade, eu tenho que admitir que achava que o máximo que poderia acontecer era jogarem o meu avatar para uma ilha deserta ou banirem a minha entrada em alguma ilha. Mero engano! Até aqui (no SL) já se achou um jeitinho de burlar o sistema e tirar lindens (a moeda circulante do software) de avatares pobres e honestos, como o meu eu virtual. ¬¬

Bom, tudo começou quando eu resolvi fazer minha pesquisa com as “favelas virtuais” do SL (relacionando-as com a identidade cultural e a questão da reprodução territorial…bom, mas isso não vem ao caso).

No entanto, para fazer a minha pesquisa, é necessário utilizar uma etnografia virtual (proposta por Hine), o que implica (em um determinado momento) na imersão da pesquisadora no campo da comunidade em análise, ou seja, eu teria que me fazer “favelada” virtualmente para participar de forma ativa do grupo do pessoal que mora ali.

Só que, para isso, eu teria que “vestir” uma identidade igual a que eles apresentam no ambiente (pelo menos aparentemente). Pensei “vou começar pelas roupas, claro”! Então, de mãos vazias, fui procurar uma forma para ganhar dinheiro a fim de comprar umas botas (umas míseras botas de 18 lindens) que eu achei na favela e que já iriam “quebrar o galho” inicialmente.

É importante salientar, para quem não sabe, que no SL tudo gira em torno do comércio virtual. As pessoas têm que ter dinheiro para comprar coisas “legais” (como as minhas botas) por lá.

Então, eu saí pelo SL em busca de um emprego que não fosse tão chato e que não exigisse tempo. 😛 Fui parar na polícia de uma das ilhas, oferecendo-me para ser uma cidadã virtual da lei. Só que, depois de uma conversa com o delegado, eu descobri que teria que passar por uma série de testes para fazer parte do batalhão e, só então, receber algo. Verifiquei, então, que todo esse processo não iria otimizar o meu tempo. Pelo contrário, iria me atrasar mais ainda, pois eu tenho que terminar estes artigos pendentes do mestrado, o quanto antes.

Assim, saí desanimada da delegacia e encontrei um “traficante virtual”. Fiz amizade com ele e perguntei sobre as formas mais rápidas de se ganhar dinheiro dentro do software de maneira que eu não precisasse ficar dedicando o meu tempo “jogando” no SL. Ele me deu uma luz, lembrou-me da existência de cadeiras que te oferecem lindens, por um determinado tempo, que ficas sentado ali (eu já sabia disso quando fiz meu TCC, só que, não sei o porquê, havia deletado da minha memória).

“Perfeito”!!! Era isso mesmo que eu precisava: colocar o meu avatar num banquinho e esquecer dele ali, enquanto fazia meus artigos e ganhava os lindens para comprar a bota da favela.

Chegando lá, o esquema era o de pagar 3 lindens por cada meia hora sentada na cadeira. Assim, obviamente, eu precisaria ficar 3h sentadinha ali para conseguir os 18 lindens para a minha bota de “favelada-virtual”. Tudo bem, a minha meta era passar a tarde dedicando-me aos artigos, não ia custar-me nada deixar o SL rodando paralelamente ao Word. 😛 “Vamos lá”, pensei.

Assim, passaram-se uma, duas….três horas (acreditem: eu fiquei 3 horas sentada numa cadeira virtual para ganhar 18 LINDENS). Cheguei a contar os segundos finais, ansiosa para fazer minha primeira compra na vida virtual do SL. “Segundos..5…4…3…2…1”!!!!!! Puf (saltei tri feliz da cadeira)!!!

Aí, olhei os meus lindens e… SURPRESA! Os meus lindens não estavam comigo!!!! ARGSSSS!!!!! “COMO ASSIM? FIQUEI 3H NUMA CADEIRA PARA NÃO GANHAR NADA????”

Foi nesse momento que eu olhei para baixo de mim e encontrei um avatar deitado na minha cadeira, contando o tempo normal da cadeira E COM OS MEUS 18 LINDENS ¬¬ . Primeiramente não entendi o porquê disso. Fiquei confusa. Tentei falar com o avatar, imaginando que ele fosse uma boa “pessoa-virtual” e que compreendesse a minha situação a fim de concordar com uma pequena “pane” do “sistema das cadeiras” do SL e que devolvesse os meus 18 lindens. ¬¬ Ilusão minha. O avatar simplesmente me ignorou. Fez como que se eu não estivesse ali.

Aí, lembrei do meu amigos traficante e voltei para a favela a fim de perguntar como o meu dinheiro foi transferido para o avatar que se deitou depois de mim?

A resposta foi essa: “se você está nestes lugares ganhando dinheiro virtual de forma fácil, você não pode deixar que outros avatares sentem aonde você está, pois eles ficam ocupando o lugar do sistema do SL que diz para pagar lindens para a pessoa que está ali. Logo, no momento que você levanta, já tem outro avatar ali, então o dispositivo de que alguém parou de ficar sentado na cadeira e que é hora de pagar para este residente, não é liberado, sendo, automaticamente, o dinheiro ganhado por ti, transferido para o outro avatar, como se ele estivesse ali o tempo todo.”

Apesar de não ter esclarecido o suficiente (pois é…como o sistema do SL pode ser tão monga nisso? Como ele iria tirar os meus lindens? Por que a cadeira do SL não é “mais inteligente?”)… O fato central era que EU FUI ROUBADA (não importava mais “o como”). 😛 …Imaginem como eu fiquei.
Está certo que era só um par de botas da favela e que de repente o meu “amigo favelado” do SL me contou uma baita mentira (como vou saber, até então?), mas o sentimento de perda, de roubo permaneceu em mim….TINHAM QUE ME ROUBAR NA PRIMEIRA VEZ QUE EU TENTO GANHAR ALGUM DINHEIRO NA VIDA VIRTUAL? Fiquei “hipermente”, “megamente”, “mastermente” de cara a ponto de não conseguir mais fazer os meus artigos. Odeio gente que tenta dar de espertinho sobre outros! Odeio gente que quer pular etapas e dar o “jeitinho brasileiro” para subir na vida de forma que prejudique quem está fazendo as coisas de maneira “certinha”. 709547690763931 X ARGS!

Pois é, mais uma prova de que a realidade virtual (destes softwares que simulam a vida offline) não se diferencia tanto assim da realidade concreta.

Enfim, foi o que aconteceu.
O resultado final: fiquei sem botas, sem a finalização do meu artigo e tri irritada. ¬¬

Tenho que mudar de nome!

10 Jul

Final de semestre…Mas a corrida continua!
Tenho que escrever mais três artigos e fazer correções no meu projeto. Além disso, estou pensando em fazer um trabalho para enviar ao 5º Foro Latinoamericano “Memoria e Identidad”, em Montevideo… E, é exatamente na hora de colocar o meu nome abaixo do título do artigo, que eu me peguei pensando em algo que já tenho, praticamente, obrigada a pensar nestes últimos dias: o MEU NOME.

E por que pensar no meu nome?
Bom, tudo começou quando eu nasci e meus pais tiveram a idéia de colocar o meu nome de REBECA DA CUNHA RECUERO (eu já tinha 2 irmãos até então: o LUCAS e a RAQUEL DA CUNHA RECUERO). Até aí, nenhum problema.
No entanto, eu cresci e resolvi estudar, caindo diretamente no curso de Jornalismo (o mesmo da minha irmã). Até aí, continuamos sem problemas.

O tempo passou e eu resolvi fazer mestrado, resolvi fazer pesquisa e dedicar-me à vida acadêmica (sendo que a Raquel já estava aí, doutora, dominando já por algum tempo “o campinho” ).

Um dia, porém, conversando com minha irmã (aqui, começaram os problemas), ela me disse que eu teria que mudar de nome porque no sistema acadêmico (no Currículo Lattes) e em todos os meus trabalhos, eu saía com o nome de R.RECUERO e ela também! Logo, nunca saberiam se foi ela ou eu quem escreveu determinado artigo (é mais complexo do que isso, mas enfim, seria uma confusão! Sem falar que poderiam achar que os “artiguinhos” de uma iniciante pudessem ser os da Raquel, pois quem ia saber que eu existo até então? :P). Admito, eu achei uma super monguice (isso de ter que trocar o nome)..e pensei “aaah, azar…As pessoas que deixem de ser mongas e leiam o nome todo”.

No entanto, na minha primeira reunião com a minha orientadora (Profa. Dra. Suely Fragoso), ela falou do mesmo assunto. Logo suspeitei: “aposto que a Raquel está inventando isso e falou com a Suely para ela me convencer a mudar de nome, afinal, elas se dão tri bem e se falam seguido…” Mas, para a minha surpresa, o assunto era sério mesmo! Depois de mais algumas orientações, eu me convenci que, alguém, teria que mudar de nome. Sim, era verdade, o meu nome R. RECUERO iria me atrapalhar futuramente devido o nome da minha irmã já ser R. RECUERO e ambas estarmos introduzidas no mundo da pesquisa com Tecnologias da Informação e da Comunicação.

Fui tri pensativa para a minha casa e conversei com meus pais sobre a mudança. Inicialmente eles riram de mim. Mas depois, começaram a me levar a sério.

Eu tentei convencer a Raquel a mudar de nome, mas, como podem imaginar, a resposta foi: “ha-ha-ha…azar o teu, cheguei antes. Quem mandou nascer por último? Vira Rebeca Cunha”! Fiquei hiper de cara, não só porque todo mundo acha que a situação era engraçada (…tá, é um pouco engraçada), mas também porque eu ia ter que ser outra pessoa (além de eu não curtir muito o Cunha…Minha mãe que não leia esse post! Mas é que Cunha fica esquisito para nome de pesquisa. Perdoem-me os Cunhas já existentes no mundo acadêmico). 😛

Conclusão, tenho que mudar meu nome o mais rápido possível para começar a publicar com o meu novo “eu” acadêmico! Estou nesse impasse faz uns três meses. A minha orientadora me aconselhou a casar com um cara que tenha um sobrenome ultra-chique, só para roubar seu último nome (visto que eu não curto muito, também, o nome do meu namorado: Sequeira). Hehehehe.

O meu pai acha que eu tinha que colocar o nome do meu avô, Kleinoski, a minha mãe acha que eu tinha que ser Cunha e as pessoas da volta se divertem com a situação.

Bom, então, voltando ao início do post, eu fui escrever o meu nome no artigo e lembrei disso: “tenho que mudar meu nome”. Tenho que ver um nome legal, o qual eu vou usar para tudo que é artigo científico que eu for escrever a partir de hoje (claro que terei que fazer um registro oficial e tal, mas já tenho que ir estruturando-me para isso o mais rápido possível).

Assim, no momento, estou sofrendo de uma crise identitária, pensando no meu novo nome, que, de certa forma, também vai me trazer mais um fragmento identitário complementar ao meu sujeito. No entanto, o que me deixa mais tranquila, é que têm pessoas famosas e legais que mudaram de nome também, inclusive, na vida acadêmica. 🙂 Então, resta-me pensar em um sobrenome que combine comigo, cujo o qual eu vou carregar por toda a minha nova jornada científica. :/