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Palestra sobre comportamento e comunicação nas redes sociais na internet

6 May

No início do mês de abril fui convidada a participar da Aula Magna do Curso de Comunicação da ULBRA. Fiquei super contente com o convite e mais ainda com a impecável recepção que tive pelo pessoal de lá. Indiscutivelmente, um dos lugares mais legais e organizados que já fui palestrar. 🙂

O tema da palestra – solicitado pelos organizadores do evento – girava em torno de como é o processo comunicacional nas redes sociais na internet e em como seria a maneira mais “adequada” de comportamento do (futuro) profissional de Comunicação. Solicitaram, também, que eu entrasse mais em conceitos teóricos, sociológicos e antropológicos, saindo da mesmice da prática (e que todo mundo sabe como é) dos sites de redes sociais.

Enfim, acho que o resultado foi legal. ^^

Segue a entrevista sobre o tema desenvolvida pelo  programa Prédio 11 (feito pelos alunos do curso). =)

Onde mora o perigo nas redes sociais?

17 Mar

Matéria que saiu no jornal “Gazeta do Sul” com um pouquinho da minha participação. 🙂
As jornalistas responsáveis são Luana Rodrigues e Maria Helena Lersch.
Disponível (versão original) em: http://www.gaz.com.br/noticia/397448-onde_mora_o_perigo_nas_redes_sociais.html
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Mais de 1 bilhão de pessoas estão no Facebook e o número de usuários cresce a cada dia. Pesquisa realizada pela Socialbakers, empresa que produz estatísticas sobre mídias sociais, aponta que em 2012 o cadastro de brasileiros na rede social passou de 35,1 milhões para 64,8 milhões. Atualmente, o País ocupa a segunda posição no ranking de usuários, perdendo apenas para os Estados Unidos. Não há dúvidas de que a rede caiu no gosto popular, mas se por um lado ela diminuiu distâncias e facilitou a comunicação, por outro gerou a exposição excessiva da imagem.

Falar tudo o que se pensa por meio da rede social pode gerar consequências. Antes, as opiniões se resumiam a pensamentos ou no máximo comentários em uma roda de amigos. Hoje, estão expostas publicamente nas timelines e sujeitas à livre interpretação. O usuário pode usar o Facebook para narrar a si mesmo e se autoeditar, colocando em seu perfil apenas o que julgar necessário. No entanto, em alguns momentos, pode ultrapassar a tênue linha que separa o certo do errado.

Reclamar do chefe ou da empresa em que trabalha, usar o espaço para se queixar da rotina, compartilhar tudo o que vê pela frente e postar fotos inadequadas são apenas algumas das atitudes que já criaram dor de cabeça para muitos usuários do Facebook. Mais recentemente, as empresas começaram a observar o comportamento de seus funcionários no espaço virtual, e há quem já tenha sido demitido por falar o que não devia na rede.

O problema ocorre quando as pessoas esquecem que o conteúdo postado no perfil retrata só opiniões pessoais. Muitas vezes motivados pela necessidade de pertencer a um grupo, ou de exibir singularidade, acabam fazendo da rede social um mural.

Quando a preocupação com a privacidade deixa de existir, aumenta-se o risco de que a rede seja usada como uma válvula de escape do cotidiano ou para a manifestação de desejos e sentimentos. O ponto mais difícil é saber como se comportar sem prejudicar a carreira ou a imagem pessoal.

Bom-senso na internet é fundamental

Para a mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação, Rebeca Recuero Rebs, que realiza pesquisas na área da cibercultura, a necessidade de expor a vida nas redes sociais não é algo totalmente novo. Segundo ela, o ser humano sempre buscou status, reputação, popularidade e uma série de características valorizadas pela sociedade. “Essa necessidade de afirmação está diretamente associada à busca pelo pertencimento a grupos sociais. A grande diferença é que agora as coisas tomam uma dimensão muito maior, devido à potencialização que a internet possibilita”, explica.

Conforme Rebeca, ser ouvido, reconhecido e, quem sabe, admirado (ou até mesmo odiado) por um grande número de pessoas tornou-se mais fácil tanto pela velocidade de difusão como pela grande visibilidade que as informações atingem com as tecnologias. “Essa busca excessiva pela exposição nas redes sociais na internet nada mais é que um comportamento típico da nossa sociedade, caracterizada pela espetacularização da vida cotidiana”, argumenta.

A diferença é que a internet possibilita alcançar uma visibilidade muito maior. O que é publicado na timeline do Facebook, por exemplo, pode ser visto em poucos segundos tanto por quem é colega de trabalho quanto por quem mora em outro país. Para a pesquisadora, pensar o quanto essa exposição pode ser boa ou ruim está diretamente associado ao bom- senso. “Ela é boa quando se busca uma interação social focada na construção de relacionamentos, no reconhecimento social, ou até mesmo na disseminação de informação. Mas se torna ruim quando pode prejudicar o sujeito ou ainda outra pessoa”.

Uma das dicas para não cometer gafes nas redes sociais é ler diversas vezes o texto antes que ele seja publicado. Isso serve para corrigir possíveis erros de digitação ou ortografia, mas também para refletir sobre a necessidade de realmente dizer o que se está pensando. O duplo sentido também deve ser evitado.

Entre os erros mais frequentes de quem interage por meio das redes sociais está o de pensar que o espaço virtual se constitui em um mundo à parte ou uma terra sem leis, onde tudo é permitido e não há punições. No entanto, o mundo virtual é tão real quanto o mundo concreto. “Ambos não possuem delimitações de começo e fim. Significa que se misturam, constituindo o que vivenciamos hoje. Não é possível separar o perfil de um sujeito nas redes sociais da internet de seu perfil concreto. As pessoas associam diretamente o que veem na internet com o que pensam sobre o outro fisicamente”, avalia Rebeca.

Em resumo, o ideal é que os usuários de redes sociais na internet se portem da mesma maneira como agiriam fora do mundo virtual. É importante lembrar que tudo o que for dito nas redes pode ter o mesmo peso – ou até mais, por causa da exposição – que na vida concreta. É válido ter consciência de que as publicações ficam registradas e não há como controlar a disseminação desse conteúdo. “Isso pode ser usado contra cada um de nós futuramente. Por isso, é fundamental perceber que o mundo virtual não é um mundo à parte, mas sim mais um local público onde tudo o que você diz, publica, comenta, curte ou critica poderá ser lido e/ou acessado por pessoas situadas nos lugares mais diversos do mundo”, diz Rebeca.

 

Passou de brincadeira para demissão

Em setembro do ano passado, após o envolvimento em uma polêmica no Facebook, o então secretário da Prefeitura de Cachoeira do Sul, Loir Ítalo de Oliveira Filho, pediu demissão. Na época, véspera de Semana Farroupilha, ele disse em seu perfil que considerava os festejos uma “babaquice”. “Esta chuva poderia se repetir no dia 20 o dia todo. Daí não teria aquele desfile lacaio. Eita que esta Semana Farroupilha é uma babaquice sem tamanho, Deus do céu”, postou. Mais tarde, Oliveira Filho excluiu a publicação e se retratou. “Não reflete em nada no meu trabalho. Quem gosta de cultivar as tradições que o faça. Acho que o tradicionalismo de vocês é bem maior do que eu penso, certo?”.

Seis meses depois do caso, ele voltou a falar do assunto com a Gazeta do Sul e disse que não é contra o tradicionalismo. Para Oliveira Filho, a diferença que a repercussão pode ter está ligada a quem posta o fato no Facebook. “Quando não é alguém público, não dão importância demasiada à publicação”, acredita. Quanto ao desfecho que sua postagem tomou no ano passado, o ex-secretário não se considera prejudicado. “Sou advogado e não político. Ocupava o cargo e dava 100% da minha capacidade. Claro que houve alguns transtornos. Posso afirmar que a maioria da população acha a mesma coisa que postei”, reforçou.

 

Relação de amor e ódio

Ferramenta usada para a aproximação de pessoas, a rede social na internet também pode resultar no término de relacionamentos. Aliada até mesmo em investigações, ela contém informações que podem mostrar o caminho a ser seguido por quem tenta revelar mentiras. Conforme o detetive Silveira (que prefere manter seu nome completo em sigilo), o Facebook facilita o processo investigativo porque dá pistas do que o possível traidor costuma fazer e com quem se relaciona. “Como eu preciso de provas em vídeo e fotos, é necessário sair a campo. Mas as informações iniciais, eu consigo nas redes sociais”, explica.

No entanto, de acordo com o investigador, comentários ingênuos podem levar a insinuações que não se comprovam durante o processo investigatório. “Tem muita gente carente e confusa usando a ferramenta. Porque são simpáticas demais, os companheiros desconfiam que possam estar sendo traídos quando, na verdade, os usuários nem se conhecem pessoalmente. Mas já descobri casos em que a traição virtual se confirmou”, conta Silveira.

É o caso da santa-cruzense Melissa*, que utilizava o Facebook para se comunicar com o namorado, morador de outra cidade. Um dia ela tentou entrar no perfil usando a data de aniversário dele como senha. “E deu certo. Ou nem tanto, pois lendo as mensagens que ele mandava para as outras meninas, descobri que era muito ‘cachorro’. Nos finais de semana que eu ia para a cidade onde ele morava, ele dizia para as outras que precisaria viajar a trabalho e não atenderia aos telefonemas”, conta.

Segundo Melissa, o rapaz dizia as mesmas coisas românticas para todas as pretendentes. “Em uma das conversas, quando uma menina perguntou por mim, ele disse que ‘o que os olhos não veem o coração não sente’”, revela. Mas, como geralmente os erros que cometemos e as situações nas quais nos envolvemos sem sucesso deixam alguma lição, Melissa brinca. “Depois de tudo isso, romance à distância eu não quero mais. E, de preferência, quero um namorado sem Facebook.”


Publique apenas o que falaria ao chefe

Com o aumento da exposição da vida pessoal nas redes sociais, as empresas têm cada vez mais acompanhado o que os funcionários fazem na internet. Os empregadores também se preocupam com a forma como eles podem ser citados no meio virtual e a imagem que poderão ter a partir de postagens. Por conta disso, há uma tendência de empresas sugerirem, por meio de um manual de conduta, a postura considerada adequada na rede. Especialistas também aconselham a divulgar apenas o que você falaria em frente ao seu chefe, para que uma publicação não o prejudique no ambiente de trabalho.

Gerente comercial de uma empresa de Santa Cruz do Sul, Francisco* diz que já teve um caso de demissão no local onde trabalha. Um funcionário teria desabafado no Facebook e se referido à empresa de maneira pejorativa. “Outro colega viu a publicação e me informou. Como essa pessoa já não estava bem no trabalho, o que ela disse contribuiu para que fosse demitida”, conta. Segundo Francisco, é comum funcionários utilizarem a ferramenta no horário de expediente. “Curtem e comentam coisas que não têm nada a ver com o trabalho. As pessoas não lembram que existem outros usuários enxergando tudo.”

Outra falha cometida nas redes sociais é a falta de cuidado com as fotos compartilhadas. Nem sempre as atualizações são vistas apenas pelos amigos. Por meio de perfis de terceiros, os gestores também acabam tendo acesso às publicações. “Hoje em dia não precisamos mais ligar a uma empresa para pedir referência do funcionário. Podemos ver o que ele pensa e como é no Facebook. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, mas é necessário saber usá-las a favor. Isso, sem contar que as informações publicadas no Facebook podem servir de provas em processos trabalhistas”, afirma.

Mesmo antes de conseguir um emprego, as redes sociais também podem ser um empecilho, já que influenciam nos processos de seleção. Além de utilizar a ferramenta para entrar em contato com os candidatos, empresas de Recursos Humanos (RH) analisam os perfis antes de efetivar a contratação. No caso de seleções para empresas mais conservadoras, as fotos dos candidatos também servem de referência.

As publicações podem até não interferir em um primeiro momento, mas sim durante o processo de seleção. “Não vamos deixar de chamar alguém porque preferimos estabelecer um contato pessoal para conhecer melhor o candidato. Mas, a partir do momento em que estivermos em dúvida, o que é postado nas redes sociais será levado em conta”, revela a assistente de RH Juliana Oliari.

 

EVITE PUBLICAR

– Comentários do trabalho ou chefe
– Fotos com uniforme da empresa
– Discussões entre colegas
– Bastidores da empresa
– Comentários sobre concorrentes
– Erros excessivos de ortografia
– Opiniões preconceituosas
– Informações da vida íntima

*Nome do entrevistado foi alterado para preservar a identidade


fonte: Jornal Gazeta do Sul

 

 

 

Redes Sociais Integradas e a difusão de informações nos social games

29 May

Há um tempo atrás eu comentei no meu blog sobre este assunto de uma forma mais sucinta. Agora, vou aprofundar um pouco mais a questão, visto que o meu artigo junto com a Gabriela Zago finalmente saiu (ele foi apresentado neste sábado, no IV GAMEPAD na Feevale).

A maior parte dos sites de redes sociais não constrói um contexto informacional específico, permitindo que, a partir das interações entre os atores sociais, sejam formados diferentes valores de acordo com as conexões e o capital social trocado e apropriado pelos os atores. Significa que as pessoas possuem a liberdade de vincular-se a outras de acordo com seus interesses (normalmente ligados a algum valor que é associado ao outro).

Desse modo, podemos compreender que os sites de redes sociais estão constantemente sendo adaptados aos movimentos da sociedade. É época de Copa do Mundo: comenta-se sobre a Copa do Mundo; algum crime horrendo ocorreu: comenta-se sobre este crime… E assim por diante. Isso mostra que os valores sociais vão determinar a prioridade da difusão de informações. Esta difusão de informações, no entanto, podem ser responsável por causar afetações na estrutura da rede social, o que significa que as pessoas podem deixar de adicionar ou adicionar novas pessoas de acordo com as informações que são difundidas por elas.

Mesmo com essa possível apropriação e adaptação dos fatos sociais que estimulam o que as pessoas estão falando, comentando ou interagindo nos sites de redes sociais, vão existir mecanismos propostos pelo próprio site que vão determinar “pautas” (e as informações difundidas) entre os seus integrantes. É o caso dos social games (SG).

Bens virtuais "raros" e motivo de despertar desejos aos seus jogadores

Com a entrada destes jogos casuais nas redes sociais a informação circulante passou a agregar novos valores também vinculados aos jogos sociais. Pessoas passam a “pedir ajuda”, a enviar “presentinhos virtuais”,  a divulgar suas conquistas para toda a sua rede social do site ou a desejar bens virtuais de difícil aquisição. São, então, mecanismos funcionais do jogo que estimulam a difusão de informações e a construção de valores na rede.

Apesar destes mecanismos ampliarem a visibilidade do jogo para toda a rede social do ator (no momento em que ele publica coisas nas atualizações – ou no feed de notícias), sabemos (e muito bem) que nem todos os usuários do site de redes sociais são adeptos dos social games, o que implica na agregação de um número de atores menor ao jogo em comparação ao número de atores do site. Com isso, percebemos que os valores do jogo extrapolam o ambiente do jogo, indo aparecer nos sites que os suportam (e em alguns casos até fora do mundo online).

Isso poderia ser um exemplo de rede social integradas a uma outra rede.

Entendemos, assim, que pessoas vão se vincular ao jogo por valorizarem algo dele (seja a dinâmica da colaboração ou competição com os amigos ou ainda o colecionar de bens virtuais). Assim, surge uma rede social específica, focada no social game (e partilhando de seus valores) e que está vinculada ao site de redes sociais. Ou seja, para jogar o FarmVille do Facebook (por exemplo), o jogador deve fazer parte do Facebook.

Classificamos, então, a rede social dos social games como REDES SOCIAIS INTEGRADAS: redes que compõem uma rede social maior (do site de redes sociais), mas que giram em torno de valores próprios.

A rede social integrada pode até ter integrantes distintos de usuários “comuns” do site de redes sociais (ou seja, aquelas pessoas que entram no Facebook apenas para jogar e que só adicionam seus amigos do jogo) o que deixaria a rede social integrada igual à rede social do site. Entretanto, na maior parte dos casos, visualizamos usuários que possuem suas duas redes sociais: a do site de relacionamentos e a dos social games. Estas mesclam-se entre si, partilhando de nós que são comuns a ambas as redes (é o que tentamos elucidar na última figura).

Depois, ao longo do nosso artigo, mostramos como ambos (social games e o site de redes sociais) são beneficiados com essa integração. O primeiro porque encontra um mecanismo eficiente de visibilidade e o segundo por adquirir novos integrantes pelo despertar de interesse pelos SG.

Bom, são apenas algumas ideias que a gente tentou refletir no nosso artigo e, lógico, contribuições são sempre bem vindas! 🙂  A nossa apresentação em pdf segue logo abaixo.

Redes Sociais Integradas e a Difusão de Informações em Social Games (por Rebeca Rebs e Gabriela Zago)


O ciberespaço dos cães

28 Apr

Recentemente comprei uma linda Dachshund arlequim de tamanho kaninchen e de cor prata (chamada Apple) e, como toda boa geek apaixonada por animais, fui realizar um cadastro dela no site de redes sociais (SNS) “canino” Dogster.

No entanto, no caminho resolvi verificar se havia outro site mais interessante (ou mais completo) do que o Dogster e descobri que existem muito mais sites de redes sociais para cães do que eu imaginava. Temos o Dog Network, o Pet´s Universe. o Doggy Space, o Petkut, o Orkutpet, o Dogtree, o Fuzzster, entre outros (ainda temos SNS específicas para gatos e cavalos também, basta procurar).

O fato é que é interessantíssimo como as pessoas gostam de imaginar o que o seu bichinho sente (ou pensa). Assim, elas manifestam estas  vontades com o apoio destas ferramentas virtuais capazes de tornar o animal de estimação um padrão de informação.

Podemos pensar o perfil do animal nos sites de redes sociais como um fake, afinal, não é realmente o cachorro quem está teclando ou postando fotos. Entretanto, penso que ele se diferencia de grande parte dos outros perfis fakes (como de artistas famosos ou de personagens fictícios) pelos seguintes fatos:

  1. O cachorro existe, está lá, ao nosso lado (logo, ele não é algo fictício em sua totalidade).
  2. Não idealizamos ser o cachorro (como no caso de vários outros fakes), apenas tentamos nos colocar no seu lugar.

Assim, observa-se que há uma personificação do animal que passa a interagir com outras personificações de outros animais e, inclusive, com outras pessoas virtuais além da sua “matilha humana”. Significa que os animais parecem adquirir um “lugar de fala” no ciberespaço a partir das percepções que seus próprios donos fazem de sua identidade canina.

Verifica-se também que (de certa forma) há uma experimentação identitária que ultrapassa (ou nem chega) a vontade de “ser” algo ou alguém, mas sim que atinge a vontade de que alguém “seja” algo (conforme pensamos que ele é ou que gostaríamos que ele fosse).  Desse modo, pessoas usam de estratégias de personalização de sites de redes sociais focando não uma “construção de si” ou uma “narração do eu”, mas uma construção do outro, uma narração do outro que é visualizado em seu animalzinho (agora virtual) a fim de que o processo comunicativo (entre pessoas, no caso) possa ser estabelecido com o cão.

Assim, percebendo o “outro” com as mesmas competências comunicativas no SNS (ainda que um cachorro) é possível interagir e julgá-lo de forma humana (DONATH, 1999).

Esta personificação é tão grande que ainda podemos observar a tentativa de que os próprios animais possam “falar por si” em grandes sites de redes sociais como o Twitter. Como exemplo, citamos o mecanismo Puppy Twetts em que o cachorro “tuita” o que quer por meio de um aparelho que realiza uma tradução condicionada de seus latidos para o inglês.

Este processo de construção identitária do perfil do cachorro na internet acompanha os mesmos passos da construção constante do self humano. Postamos fotos de todo o desenvolvimento do animal, respondemos mensagens enviadas a ele,  atualizamos seus gostos, etc. É mais ou menos o que trabalha Döring (2002) quando estuda as construções identitárias no ciberespaço.

Além destes SNS específicos para animais, não podemos esquecer dos nossos tradicionais Facebook, Orkut, Twitter e Plurk que já sofrem apropriações destes donos ávidos pela comunicação de seus bichinhos. Significa que já nestes sites voltados para relacionamentos (humanos, no caso), há apropriações individuais para a construção do outro (enquanto cão) em um espaço “público” e virtual.

Os próprios games e os social games já inserem o mundo dos bichos no ciberespaço  para seus assíduos jogadores. Como exemplo, nós temos a Nintendogs, o Happy Pets e o Pet Society caracterizados por serem jogos em que as pessoas devem cuidar, sociabilizar, exercitar e agradar os seus animais virtuais de estimação para “evoluírem”  no game. Mas estes casos já se constituem em uma outra história (ou post).

O fato é que dá certo. As pessoas possuem empatia com outras pessoas que tentam entender os animais e apresentá-los em perfis humanizados nos SNS. O resultado está nos vários sites de redes de relacionamento específicos para animais. Assim, além de tratarmos nossos bichinhos como se fossem pessoas na vida concreta, ainda tentamos fazer com que eles hajam como pessoas também na vida virtual. 🙂

Mas o que isso muda na vida dos nossos animais?

Bom, primeiramente o seu cachorro não faz ideia da abrangência de pessoas que o conhecem.  Ele pode aumentar as suas chances de conseguir uma “namorada” em potencial (de acordo com as exigências de seu dono), tem mais chances de se tornar famoso (como a cantora webcelebridade canina Wishka com seus vários vídeos).  Depois muda o fato de que nós utilizamos mais tempo de nossas vidas nos passando por intermediadores deles do que interagindo diretamente com eles. 😛

Fora isso, o seu cãozinho não faz ideia do que seja este mundo virtual ao qual agora, ele também faz parte.

 

DONATH, J. S. “Identity and deception in the virtual community”, in KOLLOCK P. & SMITH, M. (orgs.). Communities in Cyberspace. New York: Routledge, 1999.
DÖRING, N. “Personal home pages on the web: a review of research”, in Journal of Computer-Mediated Communication, no 7, vol. 3, 2002. Disponível em: <http://jcmc.indiana.edu/vol7/issue3/doering.html>. Acesso em: 27/04/2011.

 

Social Games e os sites de redes sociais

18 Apr

Com a chegada dos social games (SG) nos sites de redes sociais observamos certas mudanças na dinâmica, na estrutura e na organização destas plataformas que parecem incidir em uma “nova fase” destas ferramentas sociais. O que isso significa? Significa que ao pensarmos os sites de redes sociais hoje, parece-me impossível não levar em conta a presença e as transformações que estes jogos sociais geraram, as quais apresento em uma simples reflexão aqui.

  1. Com os SG há a introdução de novos valores partilhados pela rede social do site. Estes valores são facilmente visualizados pelas trocas e buscas incansáveis dos usuários pelos bens virtuais (que eu já falei anteriormente em um post aqui) e também pelas ações promovidas pelo próprio jogo que ficam expressamente visíveis no site de redes sociais (como a colaboração e a competição entre amigos divulgada nas atualizações públicas do site). Significa que agora eu  também entro em um site de redes sociais para jogar e adquirir  coisas virtuais (cavalos, carros, mansões, prédios, etc.) ou ainda para “ajudar” meus amigos na sua fazendinha ou na sua incrível luta contra bandidos malucos. 😛
  2. Novas funcionalidades (ou objetivos de uso) agregadas ao sites de redes sociais a partir dos SG. Há a priorização da função “jogo” ao invés da busca de redes de relacionamentos por alguns usuários. Significa que algumas pessoas usam o site de redes sociais para, exclusivamente, jogar com e/ou contra os seus amigos. O site de redes sociais não apenas incentiva a formação de novos relacionamentos ou a manutenção de antigos, como também incentiva a interação jocosa entre eles.
  3. Os social games modificam a estrutura dos sites de redes sociais. Isso é visualizado pela dinâmica do jogo, que parece constantemente “chamar” novos usuários e colocar o SG em evidência por meio de ferramentas do jogo que são vinculadas ao site de redes sociais. Nessa características podemos não apenas observar as constantes ações de pessoas que jogam informações explícitas e implícitas na nossa página pública, como os vários convites e “lembretes” de que o jogo está aí para ser jogado.
  4. Surgimento de redes sociais integradas. Há a existência de uma rede particular (centrada no jogo) que é oriunda da rede social formada no site, o que implica em uma rede integrada, ou seja, temos uma “nova” rede social dentro da rede social maior do site de redes sociais (este ponto estou discutindo, inclusive, em um artigo em co-autoria com a Gabriela Zago que logo, logo aparecerá por aqui).
  5. Há uma dupla via de potencialização de  ações e objetivos entre o site de redes sociais e os SG. Os sites de redes sociais parecem potencializar o jogo que fica mais divertido por compartilhar informações com a rede de amigos e, ao mesmo tempo, novas pessoas entram no site para jogar ao tomarem conhecimento da diversão propiciada pelo jogo. Significa então, que há uma integração vantajosa para ambas as redes (que não são, necessariamente, dependentes), ou seja, o site de redes sociais ganha mais membros, enquanto que o SG é potencializado pela estrutura do site de redes sociais.

Apesar destas “modificações” já serem facilmente observadas há algum tempo, recém agora pude escrever um pouco sobre elas. 🙂 Penso que estas são apenas algumas destas transformações oriundas da introdução dos SG nos sites de redes sociais que podem contribuir fortemente para o entendimento da sociedade virtual que interage constantemente nestes ambientes sociais.

 

Curso de Redes Sociais

13 Nov

Seguindo a minha ida para Caxias, fui convidada para ministrar um mini curso sobre REDES SOCIAIS para os alunos do Design da Faculdade América Latina. Ele teve duração de duas noites (totalizando 6h).
O curso tratava de conceitos bem básicos sobre redes sociais, questões ligadas à sociabilidade nos sites de redes sociais e algumas dicas para estudar e se comportar nestes sites.

Foi bem divertido. A turma era super participativa e muito interessada. Saí de lá super satisfeita.

Para quem tiver mais interesse no ramo das redes sociais, segue o AQUI o link para o livro da Raquel. 🙂

INTERCOM 2010

8 Sep

Bom, a família Recuero estava “em peso” no INTERCOM 2010 em Caxias do Sul. Eu, a Raquel e o pai (Carlos Recuero) estivemos presentes no congresso que, por sinal, foi bem produtivo.

Então, seguem as nossas apresentações. Os artigos completos podem ser visualizados por aqui.

1. AS DINÂMICAS DO SOCIAL GAME FARMVILLE E O PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO

Nesse primeiro artigo eu tento compreender como as dinâmicas sociais de competição, conflito e cooperação dos Social Games operam no processo de constituição identitária dos sujeitos no ciberespaço. Foco na participação do usuário nesses jogos e penso em como estas dinâmicas podem favorecer a visualização de processos identitários (foco da minha tese). Então, eu parto de uma análise netnográfica focada no game Farmville do Facebook (centranda em uma observação participante e em 40 entrevistas semi-estruturadas).Os resultados iniciais apontam para uma compreensão de que o processo de constituição identitária dos sujeitos no universo virtual tem ligação com o coletivo do jogo e com as funcionalidades e valores sociais provenientes das dinâmicas propostas pelo Social Game Farmville.

2. COMPREENDENDO OS USOS E SIGNIFICAÇÕES DA PRODUÇÃO DA FOTOGRAFIA EM SITES DE REDES SOCIAIS

O segundo artigo eu fiz junto com o meu pai :P. Foi bem divertido.

O trabalho aborda a questão relacionada com a “realidade” que os sujeitos acreditam construir a partir de imagens virtuais produzidas e apropriadas por eles mesmos para os sites de redes sociais. No caso, focamos na fotografia e tentamos compreender os diversos usos e significações que ela pode adquirir nos territórios de redes sociais.

Para essa pesquisa, desenvolvemos uma observação participante acompanhada pela aplicação de 217 questionários (com entrevistas) em usuários de sistemas de redes sociais como o Orkut, o Plurk, o Twitter, o Facebook e o Messenger.

Pesquisando Redes Sociais

14 Apr

Antes que falem alguma coisa:
– Não, eu não estou tentando ser xerox da minha irmã (e nem quero isso…não tenho culpa de gostar de coisas semelhantes). A questão é que tenho um seminário em uma das disciplinas do PPGCOM que terei que falar das redes sociais. Então, aí vão algumas questõezinhas que foram surgindo no decorrer dos meus estudos (eu tenho uma certa opinião sobre isso, mas fica sem graça ficar expondo de saída):

– O tempo gasto online (não necessariamente com “despesas improdutivas”) pode prejudicar a qualidade do tempo com relações sociais offline? Ou seja, pode se dizer que as pessoas que ficam horas na Internet prejudicam ou perdem tempo de estabelecer relações sociais com pessoas na vida fora do universo virtual? Se sim, isso poderia ser considerado prejudicial para a sociedade atual? Se não, pq?

As pessoas estão (cada vez mais) buscando o universo online para estabelecer relações sociais. No entanto, observa-se que, com a fortificação dos laços e o passar do tempo, existe uma certa tendência para que acabem buscando o mundo offline para continuar estas relações. Pq???

É possível que existam relacionamentos online com laços extremamenes fortes e que permaneçam neste ambiente (apenas) sem migrar para o mundo offline??

-A questão relacionada com a reputação nas redes sociais tem ligação direta com a quantidade de nós conectados a cada sujeito?

-A Internet é um meio de comunicações que possibilita o estabelecimento de relações sociais (certo?). Pq alguns autores acreditam que ela possa corroer o tecido da vida em comunidade se ela própria forma comunidades?

Buenas, ficam as questões…Outra hora posto o que acho sobre isso (tenho que terminar um artigo). @.@ 🙂