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Onde mora o perigo nas redes sociais?

17 Mar

Matéria que saiu no jornal “Gazeta do Sul” com um pouquinho da minha participação. 🙂
As jornalistas responsáveis são Luana Rodrigues e Maria Helena Lersch.
Disponível (versão original) em: http://www.gaz.com.br/noticia/397448-onde_mora_o_perigo_nas_redes_sociais.html
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Mais de 1 bilhão de pessoas estão no Facebook e o número de usuários cresce a cada dia. Pesquisa realizada pela Socialbakers, empresa que produz estatísticas sobre mídias sociais, aponta que em 2012 o cadastro de brasileiros na rede social passou de 35,1 milhões para 64,8 milhões. Atualmente, o País ocupa a segunda posição no ranking de usuários, perdendo apenas para os Estados Unidos. Não há dúvidas de que a rede caiu no gosto popular, mas se por um lado ela diminuiu distâncias e facilitou a comunicação, por outro gerou a exposição excessiva da imagem.

Falar tudo o que se pensa por meio da rede social pode gerar consequências. Antes, as opiniões se resumiam a pensamentos ou no máximo comentários em uma roda de amigos. Hoje, estão expostas publicamente nas timelines e sujeitas à livre interpretação. O usuário pode usar o Facebook para narrar a si mesmo e se autoeditar, colocando em seu perfil apenas o que julgar necessário. No entanto, em alguns momentos, pode ultrapassar a tênue linha que separa o certo do errado.

Reclamar do chefe ou da empresa em que trabalha, usar o espaço para se queixar da rotina, compartilhar tudo o que vê pela frente e postar fotos inadequadas são apenas algumas das atitudes que já criaram dor de cabeça para muitos usuários do Facebook. Mais recentemente, as empresas começaram a observar o comportamento de seus funcionários no espaço virtual, e há quem já tenha sido demitido por falar o que não devia na rede.

O problema ocorre quando as pessoas esquecem que o conteúdo postado no perfil retrata só opiniões pessoais. Muitas vezes motivados pela necessidade de pertencer a um grupo, ou de exibir singularidade, acabam fazendo da rede social um mural.

Quando a preocupação com a privacidade deixa de existir, aumenta-se o risco de que a rede seja usada como uma válvula de escape do cotidiano ou para a manifestação de desejos e sentimentos. O ponto mais difícil é saber como se comportar sem prejudicar a carreira ou a imagem pessoal.

Bom-senso na internet é fundamental

Para a mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação, Rebeca Recuero Rebs, que realiza pesquisas na área da cibercultura, a necessidade de expor a vida nas redes sociais não é algo totalmente novo. Segundo ela, o ser humano sempre buscou status, reputação, popularidade e uma série de características valorizadas pela sociedade. “Essa necessidade de afirmação está diretamente associada à busca pelo pertencimento a grupos sociais. A grande diferença é que agora as coisas tomam uma dimensão muito maior, devido à potencialização que a internet possibilita”, explica.

Conforme Rebeca, ser ouvido, reconhecido e, quem sabe, admirado (ou até mesmo odiado) por um grande número de pessoas tornou-se mais fácil tanto pela velocidade de difusão como pela grande visibilidade que as informações atingem com as tecnologias. “Essa busca excessiva pela exposição nas redes sociais na internet nada mais é que um comportamento típico da nossa sociedade, caracterizada pela espetacularização da vida cotidiana”, argumenta.

A diferença é que a internet possibilita alcançar uma visibilidade muito maior. O que é publicado na timeline do Facebook, por exemplo, pode ser visto em poucos segundos tanto por quem é colega de trabalho quanto por quem mora em outro país. Para a pesquisadora, pensar o quanto essa exposição pode ser boa ou ruim está diretamente associado ao bom- senso. “Ela é boa quando se busca uma interação social focada na construção de relacionamentos, no reconhecimento social, ou até mesmo na disseminação de informação. Mas se torna ruim quando pode prejudicar o sujeito ou ainda outra pessoa”.

Uma das dicas para não cometer gafes nas redes sociais é ler diversas vezes o texto antes que ele seja publicado. Isso serve para corrigir possíveis erros de digitação ou ortografia, mas também para refletir sobre a necessidade de realmente dizer o que se está pensando. O duplo sentido também deve ser evitado.

Entre os erros mais frequentes de quem interage por meio das redes sociais está o de pensar que o espaço virtual se constitui em um mundo à parte ou uma terra sem leis, onde tudo é permitido e não há punições. No entanto, o mundo virtual é tão real quanto o mundo concreto. “Ambos não possuem delimitações de começo e fim. Significa que se misturam, constituindo o que vivenciamos hoje. Não é possível separar o perfil de um sujeito nas redes sociais da internet de seu perfil concreto. As pessoas associam diretamente o que veem na internet com o que pensam sobre o outro fisicamente”, avalia Rebeca.

Em resumo, o ideal é que os usuários de redes sociais na internet se portem da mesma maneira como agiriam fora do mundo virtual. É importante lembrar que tudo o que for dito nas redes pode ter o mesmo peso – ou até mais, por causa da exposição – que na vida concreta. É válido ter consciência de que as publicações ficam registradas e não há como controlar a disseminação desse conteúdo. “Isso pode ser usado contra cada um de nós futuramente. Por isso, é fundamental perceber que o mundo virtual não é um mundo à parte, mas sim mais um local público onde tudo o que você diz, publica, comenta, curte ou critica poderá ser lido e/ou acessado por pessoas situadas nos lugares mais diversos do mundo”, diz Rebeca.

 

Passou de brincadeira para demissão

Em setembro do ano passado, após o envolvimento em uma polêmica no Facebook, o então secretário da Prefeitura de Cachoeira do Sul, Loir Ítalo de Oliveira Filho, pediu demissão. Na época, véspera de Semana Farroupilha, ele disse em seu perfil que considerava os festejos uma “babaquice”. “Esta chuva poderia se repetir no dia 20 o dia todo. Daí não teria aquele desfile lacaio. Eita que esta Semana Farroupilha é uma babaquice sem tamanho, Deus do céu”, postou. Mais tarde, Oliveira Filho excluiu a publicação e se retratou. “Não reflete em nada no meu trabalho. Quem gosta de cultivar as tradições que o faça. Acho que o tradicionalismo de vocês é bem maior do que eu penso, certo?”.

Seis meses depois do caso, ele voltou a falar do assunto com a Gazeta do Sul e disse que não é contra o tradicionalismo. Para Oliveira Filho, a diferença que a repercussão pode ter está ligada a quem posta o fato no Facebook. “Quando não é alguém público, não dão importância demasiada à publicação”, acredita. Quanto ao desfecho que sua postagem tomou no ano passado, o ex-secretário não se considera prejudicado. “Sou advogado e não político. Ocupava o cargo e dava 100% da minha capacidade. Claro que houve alguns transtornos. Posso afirmar que a maioria da população acha a mesma coisa que postei”, reforçou.

 

Relação de amor e ódio

Ferramenta usada para a aproximação de pessoas, a rede social na internet também pode resultar no término de relacionamentos. Aliada até mesmo em investigações, ela contém informações que podem mostrar o caminho a ser seguido por quem tenta revelar mentiras. Conforme o detetive Silveira (que prefere manter seu nome completo em sigilo), o Facebook facilita o processo investigativo porque dá pistas do que o possível traidor costuma fazer e com quem se relaciona. “Como eu preciso de provas em vídeo e fotos, é necessário sair a campo. Mas as informações iniciais, eu consigo nas redes sociais”, explica.

No entanto, de acordo com o investigador, comentários ingênuos podem levar a insinuações que não se comprovam durante o processo investigatório. “Tem muita gente carente e confusa usando a ferramenta. Porque são simpáticas demais, os companheiros desconfiam que possam estar sendo traídos quando, na verdade, os usuários nem se conhecem pessoalmente. Mas já descobri casos em que a traição virtual se confirmou”, conta Silveira.

É o caso da santa-cruzense Melissa*, que utilizava o Facebook para se comunicar com o namorado, morador de outra cidade. Um dia ela tentou entrar no perfil usando a data de aniversário dele como senha. “E deu certo. Ou nem tanto, pois lendo as mensagens que ele mandava para as outras meninas, descobri que era muito ‘cachorro’. Nos finais de semana que eu ia para a cidade onde ele morava, ele dizia para as outras que precisaria viajar a trabalho e não atenderia aos telefonemas”, conta.

Segundo Melissa, o rapaz dizia as mesmas coisas românticas para todas as pretendentes. “Em uma das conversas, quando uma menina perguntou por mim, ele disse que ‘o que os olhos não veem o coração não sente’”, revela. Mas, como geralmente os erros que cometemos e as situações nas quais nos envolvemos sem sucesso deixam alguma lição, Melissa brinca. “Depois de tudo isso, romance à distância eu não quero mais. E, de preferência, quero um namorado sem Facebook.”


Publique apenas o que falaria ao chefe

Com o aumento da exposição da vida pessoal nas redes sociais, as empresas têm cada vez mais acompanhado o que os funcionários fazem na internet. Os empregadores também se preocupam com a forma como eles podem ser citados no meio virtual e a imagem que poderão ter a partir de postagens. Por conta disso, há uma tendência de empresas sugerirem, por meio de um manual de conduta, a postura considerada adequada na rede. Especialistas também aconselham a divulgar apenas o que você falaria em frente ao seu chefe, para que uma publicação não o prejudique no ambiente de trabalho.

Gerente comercial de uma empresa de Santa Cruz do Sul, Francisco* diz que já teve um caso de demissão no local onde trabalha. Um funcionário teria desabafado no Facebook e se referido à empresa de maneira pejorativa. “Outro colega viu a publicação e me informou. Como essa pessoa já não estava bem no trabalho, o que ela disse contribuiu para que fosse demitida”, conta. Segundo Francisco, é comum funcionários utilizarem a ferramenta no horário de expediente. “Curtem e comentam coisas que não têm nada a ver com o trabalho. As pessoas não lembram que existem outros usuários enxergando tudo.”

Outra falha cometida nas redes sociais é a falta de cuidado com as fotos compartilhadas. Nem sempre as atualizações são vistas apenas pelos amigos. Por meio de perfis de terceiros, os gestores também acabam tendo acesso às publicações. “Hoje em dia não precisamos mais ligar a uma empresa para pedir referência do funcionário. Podemos ver o que ele pensa e como é no Facebook. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, mas é necessário saber usá-las a favor. Isso, sem contar que as informações publicadas no Facebook podem servir de provas em processos trabalhistas”, afirma.

Mesmo antes de conseguir um emprego, as redes sociais também podem ser um empecilho, já que influenciam nos processos de seleção. Além de utilizar a ferramenta para entrar em contato com os candidatos, empresas de Recursos Humanos (RH) analisam os perfis antes de efetivar a contratação. No caso de seleções para empresas mais conservadoras, as fotos dos candidatos também servem de referência.

As publicações podem até não interferir em um primeiro momento, mas sim durante o processo de seleção. “Não vamos deixar de chamar alguém porque preferimos estabelecer um contato pessoal para conhecer melhor o candidato. Mas, a partir do momento em que estivermos em dúvida, o que é postado nas redes sociais será levado em conta”, revela a assistente de RH Juliana Oliari.

 

EVITE PUBLICAR

– Comentários do trabalho ou chefe
– Fotos com uniforme da empresa
– Discussões entre colegas
– Bastidores da empresa
– Comentários sobre concorrentes
– Erros excessivos de ortografia
– Opiniões preconceituosas
– Informações da vida íntima

*Nome do entrevistado foi alterado para preservar a identidade


fonte: Jornal Gazeta do Sul

 

 

 

APRENDIZADO E APROPRIAÇÕES EM SOCIAL NETWORK GAMES

9 Oct

Semana passada estive participando do Senale. 🙂 Foi bem interessante.

Aí está o resumo do trabalho completo que apresentei (em breve, quando publicado, deixarei o link aqui no site).
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APRENDIZADO E APROPRIAÇÕES EM SOCIAL NETWORK GAMES

Os social network games (SNG) são modalidades de jogos casuais ou seja, possuem regras simples, com baixto tempo de dedicação e fácil recompensa aos seus jogadores. Esta modalidade de games desenvolveu-se pelo suporte dos sites de redes sociais que oferecem uma nova plataforma de interação para os seus participantes. No entanto, ao ter contado com estes games, o jogador se vê em um ambiente repleto de regras, limites e possibilidades que exigem um aprendizado a fim de dar continuidade ao jogo. Além do contato multicultural e as experiências oferecidas pelos SNG, a bagagem de conhecimentos individuais implicará em formas diferenciadas de entendimento e utilização dos elementos do jogo. Assim, os jogadores apropriam-se do SNG, modificando-o conforme suas necessidades.

Então, parte-se de uma observação participante por três meses em dois SNG (Pionner Trail e Song Pop). Posteriormente, realizou-se entrevistas comparticipantes destes jogos a fim de adquirir informações que indiquem traços ou esforços de aprendizado por meio de apropriações realizadas nestes SNG.

Com isso, observou-se que os SNG apontam para mais um espaço tecnológico que estimula a reflexão, necessitando de certo esforço para o aprendizado (não apenas para entender, mas também para a evolução no game) especialmente por parte do jogador que tem os primeiros contatos com a plataforma. É necessário aprender novas formas de linguagens muitas vezes oriundas de apropriações sociais, como simbologias, outra língua e até mesmo a criação de novos signos. Estas ações parecem indicar mais uma forma de manifestação cultural oriunda do contato com as tecnologias, caracterizando mais uma ambiente virtual e de entretenimento capaz de produzir aprendizagem.

A atualização do avatar e a identidade

26 Mar

Stuart Hall aborda a evolução da construção identitária, defendendo que ela se caracteriza por ser construída ao longo da vida do sujeito, sendo jamais estática como pensavam pesquisadores mais antigos. Desse modo, o sujeito não nasce com uma identidade que será modificada ao longo de sua vida e muito menos nasce com uma identidade que permanecerá imutável durante toda a sua existência.

Ao longo da vida do eu virtual do jogador – ou seja, do avatar – (seja em jogos online ou, especificamente nos SNG), esta construção identitária parece ter força a partir das experiências que o sujeito tem com o game. Em uma análise anterior da construção identitária de avatares no Second Life, percebo que os sujeitos costumavam entrar no jogo com formas visuais bastante precárias, pois o lidar com a forma do avatar dependia muito das destrezas do sujeito com o aplicativo. Desse modo, era comum sujeitos serem identificados como sendo “novatos” apenas pela forma de apresentação visual de seu avatar. Indivíduos com mais experiência no jogo costumavam apresentar avatares muito mais elaborados.

Penso que nos SNG esta relação parece ser semelhante. Ao longo da pesquisa exploratória desenvolvida para a tese em SNG que permitiam a construção de mundos, foi possível verificar avatares de diferentes formas, sendo alguns mais incrementados, enquanto outros eram mais simples. No entanto, por se tratarem de formas de game bastante simples e limitadas na construção do avatar, muitas destas mudanças visuais nos jogos nem sempre indicavam a destreza do jogador na lida com a construção do avatar e sim nos itens que eram liberados pelo jogo conforme o avançar do jogador nas fases. Do mesmo modo, o uso de recursos financeiros para liberar itens também permitia que avatares fossem sendo modificados e ainda mais personalizados no decorrer do jogo.

Outro fator observado com relação a esta construção identitária do avatar ao longo da vida do eu virtual no SNG, deu-se com relação à presença de festividades. Em época de Natal, os gamers costumavam decorar não apenas a sua propriedade, como também remontar o seu avatar com vestimentas natalinas. Outra questão bastante forte é a inculturação de outros povos (como vestir seu avatar com alguma fantasia de monstro para comemorar o dia de Halloween). Estas ações enfatizam a busca pela modificação e/ou construção de uma identidade que é revelada aos outros jogadores durante o game.

O que quero  pensar sobre isso é que do mesmo modo que Stuart Hall (200), Boaventura de Sousa Santos (1995) e Muller (1989) pensavam a identidade do sujeito da atualidade como sendo passível de construções e manifestações diversas ao longo de sua vida, nos SNG a identidade virtual parece sofrer de um movimento semelhante. Ainda que muito mais limitada (tanto pelas regras do jogo, como pelas opções oferecidas), os usuários parecem realizar este movimento de transformação do seu eu virtual buscando não apenas enquadramentos sociais, mas algo diretamente associado a certa “atualização” de seu eu virtual. Esta ação, nem sempre é desvinculada da percepção ou estado da identidade concreta que o sujeito possui de si no momento.

Esta atualização do avatar parece associar-se tanto a uma busca por estar “por dentro” da moda ou das festividades, como também parece ter um sentido muito semelhante à busca pelo novo, pelo atual, pela novidade.

Estes pontos ainda aparecem bastante camufladas em minhas análises, o que exige com que eu tenha um estudo ainda mais aprofundado sobre estas questões da modificação do eu virtual e de suas relações com a identidade.

…Daí poderá sair um novo artigo. 🙂

 

HALL, Stuart.  A Identidade Cultural na Pós-modernidade.  Rio de Janeiro: DP&A, 2000. 
MULLER in DOUGLAS W. DETRICK & SUSAN P. DETRICK (Ed.) – Self Psychology: Comparisons And Contrasts. The Analytic Press, Hillsdale, NJ, 1989.
SOUSA SANTOS, Boaventura de. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1995.

 

Bens Virtuais em Social Games

8 Jun

Semana que vem estarei na XX COMPÓS 2011, em Porto Alegre apresentando o meu trabalho sobre “Bens Virtuais em Social Games” (que eu já havia comentado anteriormente por aqui).

Críticas e sugestões são bem vindas! 🙂

Aqui vai o ppt:

 


Redes Sociais Integradas e a difusão de informações nos social games

29 May

Há um tempo atrás eu comentei no meu blog sobre este assunto de uma forma mais sucinta. Agora, vou aprofundar um pouco mais a questão, visto que o meu artigo junto com a Gabriela Zago finalmente saiu (ele foi apresentado neste sábado, no IV GAMEPAD na Feevale).

A maior parte dos sites de redes sociais não constrói um contexto informacional específico, permitindo que, a partir das interações entre os atores sociais, sejam formados diferentes valores de acordo com as conexões e o capital social trocado e apropriado pelos os atores. Significa que as pessoas possuem a liberdade de vincular-se a outras de acordo com seus interesses (normalmente ligados a algum valor que é associado ao outro).

Desse modo, podemos compreender que os sites de redes sociais estão constantemente sendo adaptados aos movimentos da sociedade. É época de Copa do Mundo: comenta-se sobre a Copa do Mundo; algum crime horrendo ocorreu: comenta-se sobre este crime… E assim por diante. Isso mostra que os valores sociais vão determinar a prioridade da difusão de informações. Esta difusão de informações, no entanto, podem ser responsável por causar afetações na estrutura da rede social, o que significa que as pessoas podem deixar de adicionar ou adicionar novas pessoas de acordo com as informações que são difundidas por elas.

Mesmo com essa possível apropriação e adaptação dos fatos sociais que estimulam o que as pessoas estão falando, comentando ou interagindo nos sites de redes sociais, vão existir mecanismos propostos pelo próprio site que vão determinar “pautas” (e as informações difundidas) entre os seus integrantes. É o caso dos social games (SG).

Bens virtuais "raros" e motivo de despertar desejos aos seus jogadores

Com a entrada destes jogos casuais nas redes sociais a informação circulante passou a agregar novos valores também vinculados aos jogos sociais. Pessoas passam a “pedir ajuda”, a enviar “presentinhos virtuais”,  a divulgar suas conquistas para toda a sua rede social do site ou a desejar bens virtuais de difícil aquisição. São, então, mecanismos funcionais do jogo que estimulam a difusão de informações e a construção de valores na rede.

Apesar destes mecanismos ampliarem a visibilidade do jogo para toda a rede social do ator (no momento em que ele publica coisas nas atualizações – ou no feed de notícias), sabemos (e muito bem) que nem todos os usuários do site de redes sociais são adeptos dos social games, o que implica na agregação de um número de atores menor ao jogo em comparação ao número de atores do site. Com isso, percebemos que os valores do jogo extrapolam o ambiente do jogo, indo aparecer nos sites que os suportam (e em alguns casos até fora do mundo online).

Isso poderia ser um exemplo de rede social integradas a uma outra rede.

Entendemos, assim, que pessoas vão se vincular ao jogo por valorizarem algo dele (seja a dinâmica da colaboração ou competição com os amigos ou ainda o colecionar de bens virtuais). Assim, surge uma rede social específica, focada no social game (e partilhando de seus valores) e que está vinculada ao site de redes sociais. Ou seja, para jogar o FarmVille do Facebook (por exemplo), o jogador deve fazer parte do Facebook.

Classificamos, então, a rede social dos social games como REDES SOCIAIS INTEGRADAS: redes que compõem uma rede social maior (do site de redes sociais), mas que giram em torno de valores próprios.

A rede social integrada pode até ter integrantes distintos de usuários “comuns” do site de redes sociais (ou seja, aquelas pessoas que entram no Facebook apenas para jogar e que só adicionam seus amigos do jogo) o que deixaria a rede social integrada igual à rede social do site. Entretanto, na maior parte dos casos, visualizamos usuários que possuem suas duas redes sociais: a do site de relacionamentos e a dos social games. Estas mesclam-se entre si, partilhando de nós que são comuns a ambas as redes (é o que tentamos elucidar na última figura).

Depois, ao longo do nosso artigo, mostramos como ambos (social games e o site de redes sociais) são beneficiados com essa integração. O primeiro porque encontra um mecanismo eficiente de visibilidade e o segundo por adquirir novos integrantes pelo despertar de interesse pelos SG.

Bom, são apenas algumas ideias que a gente tentou refletir no nosso artigo e, lógico, contribuições são sempre bem vindas! 🙂  A nossa apresentação em pdf segue logo abaixo.

Redes Sociais Integradas e a Difusão de Informações em Social Games (por Rebeca Rebs e Gabriela Zago)