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Tese Rebeca Rebs: IDENTIDADE EM SOCIAL NETWORK GAMES

23 Jul

E aí está a tese. 🙂

Rebeca Recuero Rebs

IDENTIDADE EM SOCIAL NETWORK GAMES:
A construção da identidade virtual do jogador do FarmVille e do SongPop 

A presente tese parte do reconhecimento de que os social network games oferecem espaços para que os seus participantes exercitem a reflexão de suas identidades. Neles, sujeitos identificam-se e moldam seus perfis para serem reconhecidos e interagirem com os demais jogadores. O objetivo centra-se em compreender como são configuradas estas identidades do gamer nos seus jogos. A discussão teórica incluiu a problematização dos conceitos-chaves de identidade e de jogos online, questões relacionadas à visualização das identidades no Ciberespaço e a forma adquirida nos jogos online e mediações culturais, midiáticas, competências tecnológicas e relacionadas aos jogos. Os social network games foram contextualizados a partir de aspectos históricos, situação atual, ambientes suportes, possibilidades e dinâmicas sociais. A pesquisa empírica parte de uma construção de tipos de games em termos das possibilidades para a construção identitária, que inclui os jogos de Construção de Mundos, que estimulam a personalização do ambiente e os de Participação em Mundos, que estimulam a competição com atores da rede social. Optou-se pela realização da metodologia netnográfica desenvolvida em um jogo dentro de cada uma destas categorias: o Farmville e o SongPop (respectivamente), além de entrevistas com uma amostra de jogadores. Os resultados apontam a existência de elementos no jogo capazes de oferecerem lugares para o desenvolvimento de apropriações sociais (avatar, bens virtuais, interações sociais e território virtual), indicadoras de facetas identitárias destes sujeitos. Por meio deles, percebeu-se a existência de matrizes identitárias nos social network games (aleatórias, competitivas, representativas e valorativas) capazes de direcionar o modo de construção individual e coletivo destes indivíduos antes mesmo de terem contato com estes lugares de apropriação nos jogos. As implicações deste estudo revelam a existência de uma dupla via de afetação oriunda não apenas da estrutura dos jogos, mas, principalmente, dos espaços criativos que os sujeitos encontram para manifestarem suas identidades. Por meio deles, os social gamers não apenas revelam traços de si, como também parecem incorporar novas facetas identitárias oriundas destas construções no game ao seu self, o que sugere um importante papel destes ambientes lúdicos e virtuais na constituição identitária do sujeito atual.

Palavras chave: Identidade. Identidade Virtual. Jogos Online. Social Network Games. Jogos de Sites de Redes Sociais.

TESE DE DOUTORADO REBECA RECUERO REBS

TESE DE DOUTORADO REBECA RECUERO REBS

 

Palestra sobre comportamento e comunicação nas redes sociais na internet

6 May

No início do mês de abril fui convidada a participar da Aula Magna do Curso de Comunicação da ULBRA. Fiquei super contente com o convite e mais ainda com a impecável recepção que tive pelo pessoal de lá. Indiscutivelmente, um dos lugares mais legais e organizados que já fui palestrar. 🙂

O tema da palestra – solicitado pelos organizadores do evento – girava em torno de como é o processo comunicacional nas redes sociais na internet e em como seria a maneira mais “adequada” de comportamento do (futuro) profissional de Comunicação. Solicitaram, também, que eu entrasse mais em conceitos teóricos, sociológicos e antropológicos, saindo da mesmice da prática (e que todo mundo sabe como é) dos sites de redes sociais.

Enfim, acho que o resultado foi legal. ^^

Segue a entrevista sobre o tema desenvolvida pelo  programa Prédio 11 (feito pelos alunos do curso). =)

Onde mora o perigo nas redes sociais?

17 Mar

Matéria que saiu no jornal “Gazeta do Sul” com um pouquinho da minha participação. 🙂
As jornalistas responsáveis são Luana Rodrigues e Maria Helena Lersch.
Disponível (versão original) em: http://www.gaz.com.br/noticia/397448-onde_mora_o_perigo_nas_redes_sociais.html
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Mais de 1 bilhão de pessoas estão no Facebook e o número de usuários cresce a cada dia. Pesquisa realizada pela Socialbakers, empresa que produz estatísticas sobre mídias sociais, aponta que em 2012 o cadastro de brasileiros na rede social passou de 35,1 milhões para 64,8 milhões. Atualmente, o País ocupa a segunda posição no ranking de usuários, perdendo apenas para os Estados Unidos. Não há dúvidas de que a rede caiu no gosto popular, mas se por um lado ela diminuiu distâncias e facilitou a comunicação, por outro gerou a exposição excessiva da imagem.

Falar tudo o que se pensa por meio da rede social pode gerar consequências. Antes, as opiniões se resumiam a pensamentos ou no máximo comentários em uma roda de amigos. Hoje, estão expostas publicamente nas timelines e sujeitas à livre interpretação. O usuário pode usar o Facebook para narrar a si mesmo e se autoeditar, colocando em seu perfil apenas o que julgar necessário. No entanto, em alguns momentos, pode ultrapassar a tênue linha que separa o certo do errado.

Reclamar do chefe ou da empresa em que trabalha, usar o espaço para se queixar da rotina, compartilhar tudo o que vê pela frente e postar fotos inadequadas são apenas algumas das atitudes que já criaram dor de cabeça para muitos usuários do Facebook. Mais recentemente, as empresas começaram a observar o comportamento de seus funcionários no espaço virtual, e há quem já tenha sido demitido por falar o que não devia na rede.

O problema ocorre quando as pessoas esquecem que o conteúdo postado no perfil retrata só opiniões pessoais. Muitas vezes motivados pela necessidade de pertencer a um grupo, ou de exibir singularidade, acabam fazendo da rede social um mural.

Quando a preocupação com a privacidade deixa de existir, aumenta-se o risco de que a rede seja usada como uma válvula de escape do cotidiano ou para a manifestação de desejos e sentimentos. O ponto mais difícil é saber como se comportar sem prejudicar a carreira ou a imagem pessoal.

Bom-senso na internet é fundamental

Para a mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação, Rebeca Recuero Rebs, que realiza pesquisas na área da cibercultura, a necessidade de expor a vida nas redes sociais não é algo totalmente novo. Segundo ela, o ser humano sempre buscou status, reputação, popularidade e uma série de características valorizadas pela sociedade. “Essa necessidade de afirmação está diretamente associada à busca pelo pertencimento a grupos sociais. A grande diferença é que agora as coisas tomam uma dimensão muito maior, devido à potencialização que a internet possibilita”, explica.

Conforme Rebeca, ser ouvido, reconhecido e, quem sabe, admirado (ou até mesmo odiado) por um grande número de pessoas tornou-se mais fácil tanto pela velocidade de difusão como pela grande visibilidade que as informações atingem com as tecnologias. “Essa busca excessiva pela exposição nas redes sociais na internet nada mais é que um comportamento típico da nossa sociedade, caracterizada pela espetacularização da vida cotidiana”, argumenta.

A diferença é que a internet possibilita alcançar uma visibilidade muito maior. O que é publicado na timeline do Facebook, por exemplo, pode ser visto em poucos segundos tanto por quem é colega de trabalho quanto por quem mora em outro país. Para a pesquisadora, pensar o quanto essa exposição pode ser boa ou ruim está diretamente associado ao bom- senso. “Ela é boa quando se busca uma interação social focada na construção de relacionamentos, no reconhecimento social, ou até mesmo na disseminação de informação. Mas se torna ruim quando pode prejudicar o sujeito ou ainda outra pessoa”.

Uma das dicas para não cometer gafes nas redes sociais é ler diversas vezes o texto antes que ele seja publicado. Isso serve para corrigir possíveis erros de digitação ou ortografia, mas também para refletir sobre a necessidade de realmente dizer o que se está pensando. O duplo sentido também deve ser evitado.

Entre os erros mais frequentes de quem interage por meio das redes sociais está o de pensar que o espaço virtual se constitui em um mundo à parte ou uma terra sem leis, onde tudo é permitido e não há punições. No entanto, o mundo virtual é tão real quanto o mundo concreto. “Ambos não possuem delimitações de começo e fim. Significa que se misturam, constituindo o que vivenciamos hoje. Não é possível separar o perfil de um sujeito nas redes sociais da internet de seu perfil concreto. As pessoas associam diretamente o que veem na internet com o que pensam sobre o outro fisicamente”, avalia Rebeca.

Em resumo, o ideal é que os usuários de redes sociais na internet se portem da mesma maneira como agiriam fora do mundo virtual. É importante lembrar que tudo o que for dito nas redes pode ter o mesmo peso – ou até mais, por causa da exposição – que na vida concreta. É válido ter consciência de que as publicações ficam registradas e não há como controlar a disseminação desse conteúdo. “Isso pode ser usado contra cada um de nós futuramente. Por isso, é fundamental perceber que o mundo virtual não é um mundo à parte, mas sim mais um local público onde tudo o que você diz, publica, comenta, curte ou critica poderá ser lido e/ou acessado por pessoas situadas nos lugares mais diversos do mundo”, diz Rebeca.

 

Passou de brincadeira para demissão

Em setembro do ano passado, após o envolvimento em uma polêmica no Facebook, o então secretário da Prefeitura de Cachoeira do Sul, Loir Ítalo de Oliveira Filho, pediu demissão. Na época, véspera de Semana Farroupilha, ele disse em seu perfil que considerava os festejos uma “babaquice”. “Esta chuva poderia se repetir no dia 20 o dia todo. Daí não teria aquele desfile lacaio. Eita que esta Semana Farroupilha é uma babaquice sem tamanho, Deus do céu”, postou. Mais tarde, Oliveira Filho excluiu a publicação e se retratou. “Não reflete em nada no meu trabalho. Quem gosta de cultivar as tradições que o faça. Acho que o tradicionalismo de vocês é bem maior do que eu penso, certo?”.

Seis meses depois do caso, ele voltou a falar do assunto com a Gazeta do Sul e disse que não é contra o tradicionalismo. Para Oliveira Filho, a diferença que a repercussão pode ter está ligada a quem posta o fato no Facebook. “Quando não é alguém público, não dão importância demasiada à publicação”, acredita. Quanto ao desfecho que sua postagem tomou no ano passado, o ex-secretário não se considera prejudicado. “Sou advogado e não político. Ocupava o cargo e dava 100% da minha capacidade. Claro que houve alguns transtornos. Posso afirmar que a maioria da população acha a mesma coisa que postei”, reforçou.

 

Relação de amor e ódio

Ferramenta usada para a aproximação de pessoas, a rede social na internet também pode resultar no término de relacionamentos. Aliada até mesmo em investigações, ela contém informações que podem mostrar o caminho a ser seguido por quem tenta revelar mentiras. Conforme o detetive Silveira (que prefere manter seu nome completo em sigilo), o Facebook facilita o processo investigativo porque dá pistas do que o possível traidor costuma fazer e com quem se relaciona. “Como eu preciso de provas em vídeo e fotos, é necessário sair a campo. Mas as informações iniciais, eu consigo nas redes sociais”, explica.

No entanto, de acordo com o investigador, comentários ingênuos podem levar a insinuações que não se comprovam durante o processo investigatório. “Tem muita gente carente e confusa usando a ferramenta. Porque são simpáticas demais, os companheiros desconfiam que possam estar sendo traídos quando, na verdade, os usuários nem se conhecem pessoalmente. Mas já descobri casos em que a traição virtual se confirmou”, conta Silveira.

É o caso da santa-cruzense Melissa*, que utilizava o Facebook para se comunicar com o namorado, morador de outra cidade. Um dia ela tentou entrar no perfil usando a data de aniversário dele como senha. “E deu certo. Ou nem tanto, pois lendo as mensagens que ele mandava para as outras meninas, descobri que era muito ‘cachorro’. Nos finais de semana que eu ia para a cidade onde ele morava, ele dizia para as outras que precisaria viajar a trabalho e não atenderia aos telefonemas”, conta.

Segundo Melissa, o rapaz dizia as mesmas coisas românticas para todas as pretendentes. “Em uma das conversas, quando uma menina perguntou por mim, ele disse que ‘o que os olhos não veem o coração não sente’”, revela. Mas, como geralmente os erros que cometemos e as situações nas quais nos envolvemos sem sucesso deixam alguma lição, Melissa brinca. “Depois de tudo isso, romance à distância eu não quero mais. E, de preferência, quero um namorado sem Facebook.”


Publique apenas o que falaria ao chefe

Com o aumento da exposição da vida pessoal nas redes sociais, as empresas têm cada vez mais acompanhado o que os funcionários fazem na internet. Os empregadores também se preocupam com a forma como eles podem ser citados no meio virtual e a imagem que poderão ter a partir de postagens. Por conta disso, há uma tendência de empresas sugerirem, por meio de um manual de conduta, a postura considerada adequada na rede. Especialistas também aconselham a divulgar apenas o que você falaria em frente ao seu chefe, para que uma publicação não o prejudique no ambiente de trabalho.

Gerente comercial de uma empresa de Santa Cruz do Sul, Francisco* diz que já teve um caso de demissão no local onde trabalha. Um funcionário teria desabafado no Facebook e se referido à empresa de maneira pejorativa. “Outro colega viu a publicação e me informou. Como essa pessoa já não estava bem no trabalho, o que ela disse contribuiu para que fosse demitida”, conta. Segundo Francisco, é comum funcionários utilizarem a ferramenta no horário de expediente. “Curtem e comentam coisas que não têm nada a ver com o trabalho. As pessoas não lembram que existem outros usuários enxergando tudo.”

Outra falha cometida nas redes sociais é a falta de cuidado com as fotos compartilhadas. Nem sempre as atualizações são vistas apenas pelos amigos. Por meio de perfis de terceiros, os gestores também acabam tendo acesso às publicações. “Hoje em dia não precisamos mais ligar a uma empresa para pedir referência do funcionário. Podemos ver o que ele pensa e como é no Facebook. As redes sociais são ferramentas maravilhosas, mas é necessário saber usá-las a favor. Isso, sem contar que as informações publicadas no Facebook podem servir de provas em processos trabalhistas”, afirma.

Mesmo antes de conseguir um emprego, as redes sociais também podem ser um empecilho, já que influenciam nos processos de seleção. Além de utilizar a ferramenta para entrar em contato com os candidatos, empresas de Recursos Humanos (RH) analisam os perfis antes de efetivar a contratação. No caso de seleções para empresas mais conservadoras, as fotos dos candidatos também servem de referência.

As publicações podem até não interferir em um primeiro momento, mas sim durante o processo de seleção. “Não vamos deixar de chamar alguém porque preferimos estabelecer um contato pessoal para conhecer melhor o candidato. Mas, a partir do momento em que estivermos em dúvida, o que é postado nas redes sociais será levado em conta”, revela a assistente de RH Juliana Oliari.

 

EVITE PUBLICAR

– Comentários do trabalho ou chefe
– Fotos com uniforme da empresa
– Discussões entre colegas
– Bastidores da empresa
– Comentários sobre concorrentes
– Erros excessivos de ortografia
– Opiniões preconceituosas
– Informações da vida íntima

*Nome do entrevistado foi alterado para preservar a identidade


fonte: Jornal Gazeta do Sul

 

 

 

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Social Network Games e o Vício

25 Jan

Aí está a  entrevista que forneci ao EDITORIAL J do Laboratório convergente do curso de Jornalismo da Famecos/PUCRS. =)
Nela abordo sobre os social games e o vício que causa em seus usuários.

1) EDITORIAL J:   Quando a vontade de jogar vira vício?

REBECA REBS: O jogo pode ser encarado como vício quando o sujeito passa a colocá-lo como sendo uma das atividades essenciais e necessárias do seu cotidiano. Penso que quando este vício é regrado e se reconhece os seus limites, o vício em games enquadra-se na mesma categoria de vícios em outras formas de diversão ou de esporte. Quando passamos a deixar de lado certas atividades necessárias do dia-a-dia em troca dos jogos, encarando o game como sendo mais importante do que elas, penso que este vício atinge o um estágio negativo. Por exemplo, existem casos de pessoas que deixam de trabalhar, de dormir e até mesmo de comer para passar mais tempo no jogo e, consequentemente, evoluir mais rápido no game. Nestes casos penso que a diversão passa a ser um vício destrutivo, ou seja: o jogo passa a nos prejudicar (ainda que não consigamos perceber isto de forma clara em um primeiro momento).

2)    EDITORIAL J: Quais são os principais elementos capazes de prender a atenção do jogador?

REBECA REBS: Além do aplicativo ser uma forma de entretenimento, primeiramente o próprio design atraente, colorido e com a presença de uma grande quantidade de itens virtuais à disposição do jogador, funciona como um atrativo que convida ao sujeito para uma participação e uma personalização interessante do jogo. Outro ponto é a facilidade de acesso ao game. O jogador consegue acessar o aplicativo em diferentes suportes necessitando apenas de alguns “cliques” para realizar suas tarefas no game. Ainda há a simplicidade dos social games  que oferecem poucas dificuldades para o entendimento de suas regras (que são consideradas bastante simples). Há ainda o baixo tempo de dedicação que faz com que o game possa ser jogado várias vezes ao dia e em pequenos intervalos de tempo. Outra questão bastante forte que chama a atenção do jogador é a possibilidade de interação com os amigos de seu próprio site de redes sociais (ou seja, interação com os seus conhecidos). Estas interações também irão gerar certa “obrigação social”, ou seja, os jogadores possuem uma série de comportamentos esperados pelo grupo (como responder aos pedidos de ajuda, enviar gifts, etc.) e isso faz com que o jogador sinta-se responsável também pela evolução de seu amigo no jogo. Por fim, outro fator fundamental para chamar a atenção de um número cada vez maior de jogadores para os social network games é a existência do mecanismo de dependência social que faz com que o jogador dependa de outros para poder evoluir. Assim, há o constante envio de convites para que seus amigos passem a fazer parte da comunidade do jogo, funcionando como uma forma de propaganda gratuita para o game.

3)    EDITORIAL J: Existe algum mecanismo infalível para transformar a diversão em vício?

REBECA REBS: Esta questão está bastante associada à anterior. Veja bem, algo que chama a atenção dos jogadores normalmente é algo bom e que, consequentemente, poderá tornar-se um vício. Penso que há a associação de vários mecanismos estruturais que são muito bem explorados por estes social network games tornando-os “irresistíveis” ao ponto de tornarem os social games um verdadeiro vício para seus jogadores. O primeiro deles é o mecanismo de competição, Este fator estimula os jogadores a voltarem sempre ao game. Por mais que os social network games sejam jogos em continuidade (e aparentemente sem fim), os jogadores insistem em jogar, em cumprir as tarefas e continuar a ultrapassar todas as etapas que são postas no seu caminho pelo game que está sempre inovando. O mecanismo de esforço e recompensa também é fundamental para a transformação destes jogos em vício. O fato de esforçar-se, de “perder” certo tempo plantando tomates (por exemplo) e, ao final disso ser recompensado com um ítem virtual diferente e valorizado pelo grupo de jogadores funciona como um estimulante. Há também um mecanismo  de dependência que gera certa obrigação ao jogador a voltar ao social game. Por exemplo: em determinados intervalos de tempo, ele necessita voltar ao jogo para colher suas plantações, caso contrário elas irão apodrecer. Assim, o jogador não quer que isto aconteça e passa a seguir o tempo estipulado pelo game para retornar pontualmente ao jogo. Por fim, ofato do jogo estar atrelado ao site de redes sociais, faz com que as pessoas sempre que entrarem nesta plataforma lembrem e sejam “chamadas” ao jogo, pois há convites de amigos, há mensagens de novidades do jogo convidando-as para voltar a se engajar neste mundo dos social games.

4)    EDITORIAL J: O gasto de dinheiro real é uma manifestação de vício?

REBECA REBS: Acho que depende. Do mesmo modo que gastamos comprando certos jogos de videogame ou recursos para estes, o gasto de dinheiro concreto em social games pode indicar a vontade de ter acesso a elementos que não seriam possíveis sem este recurso. Ou seja, seria um gasto em “diversão” e não necessariamente a manifestação de um vício. É como um desejo de consumo que para ser realizado, necessita do investimento de recursos financeiros. No entanto, acho que esta ação pode se tornar um vício no momento em que há o gasto de dinheiro concreto além do que o sujeito possui, indicando certa dependência psicológica ao jogo.

5)    EDITORIAL J: Qual a importância do relacionamento com os demais jogadores em um jogo? E do vínculo com os amigos das redes sociais?

REBECA REBS: Nos social network games esse relacionamento é um dos segredos do seu sucesso. Dentro do jogo, as interações entre jogadores se mostram a partir de ações esperadas pelos jogadores. Seriam como certas regras de comportamento, ou seja: se você faz parte do jogo, deve agir como o grupo social do jogo age. Assim, se eu vou lhe ajudar na colheita de seus tomates em sua fazenda, você também deveria retribuir. Do mesmo modo, como já apontei anteriormente, o jogo estimula o convite de novos amigos para participarem, pois somente tendo mais “vizinhos”, mais “colegas” ou mais “parceiros”, o jogador poderá adquirir itens diferenciados ou até mesmo passar de determinadas etapas oferecidas pelo jogo. Isso dá uma grande visibilidade ao social network game que passa a ser difundido pela rede muito rapidamente. O fato de ser jogado entre amigos (conhecidos) é outro fator interessante destes jogos (como já apontei). Jogar com o seu namorado, com suas melhores amigas, suas tias ou pessoas que você não tem um laço social tão forte parece estimular esta interação e alimentar as dinâmicas sociais  da competição e da cooperação.

6)    EDITORIAL J: Quais são os cinco games mais viciantes que você já jogou? Por quê?

REBECA REBS: Agora no momento eu não consigo lembrar exatamente quais foram os jogos mais viciantes que já joguei. Porém acredito que a eles eram e tornavam-se viciantes exatamente por possuirem boa parte das características que apontei anteriormente. Acredito que é trabalhando estas características de forma adequada e observando as apropriações sociais que os próprios jogadores fazem COM e NOS games é que as empresas conseguirão entender o seu público e, assim, ter sucesso com estes aplicativos voltados para o entretenimento.

 

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APRENDIZADO E APROPRIAÇÕES EM SOCIAL NETWORK GAMES

9 Oct

Semana passada estive participando do Senale. 🙂 Foi bem interessante.

Aí está o resumo do trabalho completo que apresentei (em breve, quando publicado, deixarei o link aqui no site).
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APRENDIZADO E APROPRIAÇÕES EM SOCIAL NETWORK GAMES

Os social network games (SNG) são modalidades de jogos casuais ou seja, possuem regras simples, com baixto tempo de dedicação e fácil recompensa aos seus jogadores. Esta modalidade de games desenvolveu-se pelo suporte dos sites de redes sociais que oferecem uma nova plataforma de interação para os seus participantes. No entanto, ao ter contado com estes games, o jogador se vê em um ambiente repleto de regras, limites e possibilidades que exigem um aprendizado a fim de dar continuidade ao jogo. Além do contato multicultural e as experiências oferecidas pelos SNG, a bagagem de conhecimentos individuais implicará em formas diferenciadas de entendimento e utilização dos elementos do jogo. Assim, os jogadores apropriam-se do SNG, modificando-o conforme suas necessidades.

Então, parte-se de uma observação participante por três meses em dois SNG (Pionner Trail e Song Pop). Posteriormente, realizou-se entrevistas comparticipantes destes jogos a fim de adquirir informações que indiquem traços ou esforços de aprendizado por meio de apropriações realizadas nestes SNG.

Com isso, observou-se que os SNG apontam para mais um espaço tecnológico que estimula a reflexão, necessitando de certo esforço para o aprendizado (não apenas para entender, mas também para a evolução no game) especialmente por parte do jogador que tem os primeiros contatos com a plataforma. É necessário aprender novas formas de linguagens muitas vezes oriundas de apropriações sociais, como simbologias, outra língua e até mesmo a criação de novos signos. Estas ações parecem indicar mais uma forma de manifestação cultural oriunda do contato com as tecnologias, caracterizando mais uma ambiente virtual e de entretenimento capaz de produzir aprendizagem.

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Qualificada =)

28 Aug

No dia 6 de julho de 2012 qualifiquei. =) Não foi nada traumatizante, muito pelo contrário.
Agora a minha tese está aprovada para continuar em andamento, conforme estou pensando.

A banca foi composta pelos professores doutores Eduardo Pellanda (PUC-RS); Gustavo Fischer (Unisinos) e Jiani Bonin (Unisinos). Com pouquíssimas críticas e belíssimas sugestões, acho que agora é sentar e colocar a cabeça para produzir algo legal. O título da tese já foi modificado. Agora é “EU E MEUS EUS: A IDENTIDADE DO JOGADOR EM SOCIAL NETWORK GAMES“. Meu objetivo é compreender  como ocorre o processo de construção e manifestação da identidade do jogador nos Social Network Games.

Agradeço a participação do pessoal que esteve lá assistindo. Foi legal ver que tem bastante gente interessada nesse tema. =) Segue a apresentação dos slides da quali.

SNG: competindo com os laços fortes

22 Aug

Ultimamente tenho refletido sobre a dinâmica social da competição nos social network games. Para isso, comecei um artigo que em breve estará disponível na minha lista de publicações.

Observo que a intensidade da competição indica ter certa relação com a força dos laços sociais da rede. Significa que as pessoas parecem mais motivadas a competir nos SNG quando amigos, com os quais elas possuem laços sociais fortes, estão competindo junto. Observo que os jogadores parecem considerar muito mais divertido competir e vencer de pessoas com as quais possuem certa intimidade (como bons amigos, sua namorada(o) ou até mesmo a sua avó) do que com pessoas com as quais eles não possuem laços tão fortes (especialmente quando eles nem conhecem estas outras pessoas concretamente).

A busca pela interação no jogo com os laços fortes parece estar associada com a intensidade das relações sociais entre estes sujeitos, o que permite com que o jogador tenha mais intimidade para “tirar o tempo”, comentar e ainda possa dividir suas “façanhas” no SNG (ou, até mesmo, na vida concreta ao encontrar seus amigos). Aí parece estar a graça e uma das grandes motivações de se jogar um SNG onde seus amigos (de sua rede social no site) estão participando, interagindo e conversando sobre o SNG.

Os laços fortes se caracterizam exatamente por isso: eles tendem a acumular maior capital social (bem como uma maior institucionalização deste) (GRANOVETTER, 1973), o que faz com que quanto mais força tiver um laço social entre dois jogadores de SNG, mais informação, mais valor e conteúdo (capital social) será trocado (partilhado) entre eles.

Apesar de entender que a competição não existe apenas entre dois ou mais participantes, mas também na atuação individual (competição do jogador com ele mesmo ou com o game em si), o fato de poder partilhar dos valores que considera importante no jogo  com o seu grupo de pertença (como estar em “primeiro lugar”, a aquisição de novos e raros bens virtuais, conseguir grandes conquistas, etc.), parece atuar como um dos grandes impulsionadores dos SNG.

Obviamente, outros mecanismos funcionam como estimulantes da competição social como os indicadores de desemepnho (rankings) e prêmiações oferecidas pelo próprio game. No entanto, o foco aqui, são os laços sociais e a competição em torno deles.

Penso ainda que estes valores tendem a orientar certos tipos de comportamentos e interações específicas que favorecem a socialização em torno do game. Inclusive, justamente a possibilidade de jogar e competir com os seus amigos no site de redes sociais que suporta o SNG, parece ser um dos grandes impulsionadores destes joguinhos. Afinal, por que os social games disponíveis online não tiveram tanta audiência como os social games em sites de redes sociais? É de se pensar que o jogo entre os laços sociais mais fortes possam ser um dos determinantes desse sucesso.

 

GRANOVETTER, Mark. . The strength of weak ties. American Journal of Sociology,
Chicago, v. 78, n. 6, p. 1360-1380, May 1973.

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Quem são os social gamers?

13 Jul

Muitas pessoas já vieram me perguntar sobre o perfil dos jogadores de social network games (SNG), afinal, como minha tese é aplicada em SNG, suspeita-se que eu tenha alguns dados sobre isso. =)
O problema maior é que estes dados ainda estão em andamento e uma prévia  pode ser observada neste post que desenvolvi há alguns meses.
O que venho trazer hoje são justamente dois infográficos que apresentam dados destes gamers que podem vir a contribuir nas minhas pesquisas sobre este perfil de jogador. Os dados são de 2012 e são provenientes de pesquisas da Flowtown e do Newzoo.

O que se sabe, no entanto, é que os SNG são com certeza muito numerosos e dinâmicos, ou seja, constantemente os jogos favoritos são modificados pela presença de novos games no site de redes sociais e o gênero dominante (masculino ou feminino) também varia de acordo com o “jogo do momento”.

Bom, ficam alguns gráficos interessantes para se pensar sobre este jogador de SNG.

 

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